Aparecem devagarinho, palestras bonitas, termos sofisticados em inglês, horas de ginásio, microfones em jeito de cantor, muitos Power-Points, mas nenhum negócio real concretizado para demonstrar.

O empreendedorismo apresenta os novos millennials, a maioria wanabe’s materialistas que acredita, de alguma maneira, que tudo aquilo irá aproximá-los do seu objetivo principal: sucesso, fama e dinheiro... de preferência imediato!

Quem visita as livrarias com certa regularidade percebeu que, nos últimos anos, a área dedicada ao empreendedorismo e aos negócios cresceu de uma maneira violenta. É espantoso para onde quer que nós olhemos, eles estão lá. Obras que prometem os códigos da riqueza, os segredos da abundância, os cinco passos para o sucesso e como aprenderá a pensar como o Steve Jobs.

Se, antigamente, os livros, enormes e com suas setecentas páginas, cuspiam fórmulas, equações e cálculos muito chatos que ensinavam a lidar com o fluxo de caixa das empresas, hoje eles dizem: “irá chegar lá! Acredite, irá vencer!”.

A atividade empresarial foi reduzida à pura e pobre política do incentivo.

E o motivo é simples: as pessoas compram o que querem ouvir. Geralmente, odiamos a verdade; principalmente quando ela diz que teremos que trabalhar duro e que as oportunidades de vitória são mínimas.

Perceba que não é muito difícil reconhecer o embuste. Ao entrar num destes lugares onde se fala de empreendedorísmo, basta pegar numa folha de papel e a dividir ao meio. Escreva de um lado: “lado emocional” e do outro “lado prático”. Anote a quantidade de vezes que a pessoa que apresenta as suas ideias passará conceitos e estatísticas validadas em negócios reais, versus o tempo que gastará a falar sobre motivação e sobre como precisa trabalhar a sua força de vontade e aí, sem precisar de pensar muito, perceberá ao estado em que o mundo chegou, e como Trump chega a presidente dos EUA e de como outras “trampas” irão chegar a presidentes de outros países e instituições muito em breve.

Mas há pior, estamos a ser liderados por “mimados compulsivos”. O resultado final é o que menos importa; o que eles querem é ser notícia, é ler mais livros, acompanhar mais artigos e estar por dentro do que há de mais novo a acontecer.

E remédio para isto, há? Sim, há... Esqueça a ideia de que há um caminho mais fácil.

Empreender é difícil e envolve coragem, comprometimento e muitas noites sem dormir; aquela azia constante no estômago e a sensação de que tudo, de uma hora para a outra, irá desabar. E é exatamente isso que, não te matando, te tornará mais forte e pronto para encarar a vida.