Um navio da Marinha dos EUA fez na terça-feira disparos de aviso contra uma embarcação iraniana, dos Guardas da Revolução, depois de este se ter aproximado a menos de 140 metros, informou um dirigente do Departamento da Defesa.
Um vídeo do incidente, divulgado pelo Comando das forças norte-americanas no Médio Oriente (Centcom, na sigla em Inglês), mostra o navio norte-americano a disparar duas salvas em direção a outro, apresentado como pertencente à Marinha iraniana.
Um dirigente dos EUA avançou à AFP que o navio iraniano “aproximou-se a grande velocidade” e “não respondeu nem aos sinais nem aos apelos”, não deixando outra escolha além dos tiros de aviso.
“O comportamento do vaso iraniano não estava conforme as regras de conduta marítima internacionalmente reconhecidas, criando um risco de colisão”, segundo um comunicado da Marinha norte-americana.
O incidente ocorreu às 03:00 locais (01:00 de Lisboa) de terça-feira, no norte do Golfo Pérsico.
Depois dos disparos, o navio iraniano deteve a marcha e o norte-americano, o USS Thunderbolt, retomou a sua rota.
Ao contrário, os Guardas da Revolução afirmaram terem “neutralizado” uma “ação provocadora” da marinha norte-americana no Golfo Pérsico, mas confirmando o disparo dos tiros de aviso.
“O navio dos Guardas (da Revolução) não deu atenção a esta ação não profissional e provocadora e continuou a sua missão. O navio americano abandonou a zona pouco depois”, conforme o comunicado que emitiram.
Os Guardas da Revolução do Irão classificaram os disparos contra um dos seus barcos como “conduta não profissional e provocatória”.
Segundo um comunicado divulgado nas últimas horas por este corpo militar criado após a Revolução Islâmica de 1979, a marinha iraniana “neutralizou o movimento provocatório” do navio norte-americano no norte do Golfo Pérsico.
O barco iraniano patrulhava as águas internacionais quando o navio dos Estados Unidos se aproximou e “com a intenção de provocar e gerar medo, realizou dois disparos para o ar”, diz a nota.
Os Guardas da Revolução indicaram que a sua lancha “continuou a sua missão sem dar importância a esta conduta não profissional e provocatória”, e que o navio norte-americano abandonou a zona pouco depois.
Os encontros entre as marinhas dos dois países são relativamente frequentes no Golfo Pérsico. Só no ano passado a marinha norte-americana registou 35 casos em que houve encontros descritos como “não seguros e ou não profissionais”, o que compara com os 23 casos registados em 2015.
O pior dos incidentes do ano passado envolveu a captura de dez marinheiros norte-americanos pelas forças iranianas, com as imagens dos norte-americanos de joelhos e com as mãos na cabeça a serem aproveitadas pelos radicais para fins propagandísticos.
O Irão encara a simples presença dos EUA no Golfo Pérsico como uma provocação, e acusam os norte-americanos de comportamento não profissional, especialmente no Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um terço de todo o petróleo transportado por mar.
