Uma greve do transporte de passageiros paralisou hoje várias cidades da Venezuela, entre elas Caracas, onde a população bloqueou espontaneamente artérias importantes, causando o caos e impedindo quem pretendia ir trabalhar.

A greve ocorreu após várias tentativas fracassadas de se chegar a um acordo com o Governo, para aumentar de 150 para 300 bolívares (0,075 para 0,15 euros) o preço mínimo dos bilhetes, dentro da capital e de 700 para 1.100 bolívares (0,35 para 0,55 euros) o custo mínimo de viagem entre as cidades e zonas urbanas próximas.

“Apenas um pequeno grupo (de motociclistas) está a trabalhar. Apenas os que receberam subsídios (do Estado) para a compra de autocarros Yutong (de fabrico chinês)”, explicou aos jornalistas o presidente do Bloco de Condutores do Oeste.

Hugo Ocando recordou que na Venezuela os autocarros de transporte público de passageiros são propriedade dos motoristas e precisou que em Miranda, Vargas e no Distrito Capital 90% dos profissionais aderiram à greve.

Por outro lado, explicou que a situação se tem agravado nos últimos tempos porque os motoristas não têm acesso a dólares para importar peças de reposição e pneus, sendo necessário que as autoridades procurem uma solução, porque há dezenas de viaturas paradas.

Na Venezuela vigora, desde 2003, um sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção local de moeda estrangeira e obriga os empresários a solicitarem às autoridades acesso a dólares para as importações.

“Eles (Governo) querem-nos pôr a brigar com os clientes, quando o que fazemos é tratar de lhes prestar o melhor serviço (...) Na Venezuela, não se compra nada com 150 bolívares”, disse.

Entretanto, espontaneamente as ruas de Caracas foram bloqueadas com ramos de árvores, objetos metálicos, pneus, caixas, terra e areia por cidadãos, tanto em localidades onde tradicionalmente as preferências políticas vão para a oposição, como no oeste da capital, onde lideram setores afetos ao regime.

Os bloqueios, segundo a população, visam protestar contra a convocatória do Presidente Nicolás Maduro para a eleição de uma Assembleia Constituinte, agendada para o próximo dia 30.

A aliança da oposição convocou, entretanto, para quinta-feira, uma greve geral de 24 horas, igualmente em protesto contra a proposta de eleição da Assembleia Constituinte.