A Venezuela anunciou hoje que vai realizar uma “profunda revisão” das relações bilaterais com os Estados Unidos.
O anúncio tem lugar um dia depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter advertido que os EUA vão avançar com sanções económicas, caso o Governo do Presidente Nicolás Maduro imponha uma Assembleia Constituinte.
“Por instruções do Presidente Nicolás Maduro faremos uma revisão profunda das relações com o Governo dos EUA, porque não aceitaremos humilhações de ninguém (...) O Governo dos EUA mostra parcialização absoluta com setores da direita violenta”, disse.
O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores venezuelano, Samuel Moncada, numa conferência de imprensa em Caracas, em que não houve direito a perguntas e durante a qual leu um comunicado público.
Samuel Moncada começou por explicar que “a Venezuela condena o insólito comunicado” publicado na segunda-feira pela Casa Branca por se tratar “de um documento nunca antes visto, que, pelo seu baixo nível e péssima qualidade, dificulta a compreensão intelectual das intenções do país agressor”.
“Obviamente o Governo dos EUA está habituado a humilhar outras nações nas suas relações internacionais e acredita que vai receber como resposta a subordinação a que está habituado. O fosso que o Governo dos EUA está a cavar nas suas relações com a Venezuela dificulta uma racional predição das suas ações para toda a comunidade internacional”, disse.
Segundo Caracas, “o Governo dos EUA mostra, sem pudor, a sua parcialização absoluta com os setores violentos e extremistas da política venezuelana, partidários do uso do terrorismo para derrubar um Governo popular e democrático”.
“A ruína moral da oposição venezuelana levou o Presidente (Donald) Trump a cometer uma agressão aberta contra um país latino-americano. Não sabemos quem pode ter redigido e muito menos autorizado um comunicado de tanta pobreza conceptual e moral”, vincou.
No comunicado, o Governo do Presidente Nicolás Maduro considera que “o delgado véu democrático da oposição venezuelana caiu e revela a brutal força intervencionista do Governo norte-americano, que sempre tem estado envolvido na violência sofrida pelo povo venezuelano nos últimos quatro meses”.
“Não é a primeira vez que denunciamos e enfrentamos ameaças tão disparatadas (...) fazendo um apelo aos povos da América Latina e Caraíbas e aos povos livres do mundo para entenderem a magnitude da brutal ameaça contida neste comunicado imperial e a defender a soberania, a autodeterminação e independência, princípios fundamentais do direito internacional”, disse.
Segundo Caracas, a Assembleia Constituinte, proposta por Nicolás Maduro “será eleita pelo voto direto, universal e secreto de todos os venezuelanos sob a autoridade do Conselho Nacional Eleitoral” e “é um ato de soberania política da República”.
“Nada nem ninguém poderá detê-la. A Constituinte avança. O povo da Venezuela encontra-se mais unido do que nunca, seguindo o legado dos nossos libertadores”, frisou.
Quanto às possíveis sanções, o chefe da diplomacia considerou que “já não são contra uma pessoa, particulares, mas contra o povo venezuelano”.
“(Os EUA) estão a ameaçar o povo com sanções económicas, é um abuso. Nenhum país aceita isso (...) a Venezuela é livre, soberana e independente. Lamentavelmente temos um setor da oposição que se vendeu a esse país”, disse.
O Presidente norte-americano Donald J. Trump, advertiu Caracas, na segunda-feira, de que os EUA vão avançar com sanções económicas caso o Governo do Presidente Nicolás Maduro imponha uma Assembleia Constituinte.
“Se o regime de Maduro impuser a sua Assembleia Constituinte, a 30 de julho, os EUA tomarão ações económicas fortes e rápidas. Os EUA exigem mais uma vez eleições livres e justas e unem-se ao povo da Venezuela para restaurar no seu país uma democracia plena e próspera”, conclui.
