A “extremamente difícil” Theresa May ou o “herói acidental” Jeremy Corbyn, a escolha do primeiro-ministro britânico para os próximos cinco anos será feita na quinta-feira, mas outros líderes partidários poderão ter a chave do poder.

Sucessora de David Cameron, que se demitiu em junho do ano passado após o resultado do referendo que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia, Theresa May, 60 anos é a segunda primeira-ministra britânica, depois de Margaret Thatcher.

Ascendeu à liderança do partido Conservador em julho de 2016 após o abandono dos rivais perante o amplo consenso interno de que melhor poderia garantir a estabilidade necessária no processo do Brexit, contra o qual fez campanha - mas discretamente.

A antiga ministra do Interior, atualmente com 60 anos, é conhecida por ser uma política sóbria e eficiente, mas dura nas convicções, o que lhe valeu do antigo colega Ken Clarke o epíteto de “mulher extremamente difícil” que May tem usado a seu favor quando invoca a capacidade para negociar com Bruxelas.

Casada, mas sem filhos, gosta de fazer caminhadas e de sapatos exuberantes, tendo confessado publicamente que sofre de diabetes, o que implica injeções diárias de insulina.

Filha de um vigário da igreja anglicana, estudou na universidade de Oxford e nunca escondeu a ambição de chegar ao cargo mais importante do governo, o que contrasta com o principal rival nestas eleições, Jeremy Corbyn, que, aos 68 anos, é um “herói acidental”, segundo o biógrafo Stephen Gilbert.

A sua eleição para a liderança do partido Trabalhista em 2015, sucedendo a Ed Miliband, foi uma surpresa e a reeleição um ano depois uma afronta para a maioria dos próprios deputado e de muitos dos “barões” do ?Labour’.

Considerado um memento do passado mais socialista do partido, com a sua barba e estilo relaxado, Corbyn mobilizou milhares de ativistas, animados pela perspetiva de ter um histórico elemento ala esquerda no poder.

Deputado há 34 anos, tem sido presença constante em manifestações pelos direitos humanos e contra a guerra e, mais recentemente, contra a austeridade, mas as suas ligações ao IRA e à Palestina valeram-lhe acusações de conivência com organizações terroristas.

Recatado na vida pessoal, Corbyn tem três filhos e é casado pela terceira vez, tendo por ocupações uma pequena horta na qual produz legumes e fruta que depois transforma em compota.

O próprio líder trabalhista reconhece que nunca teve aptidão académica, razão pela qual abandonou os estudos secundários com notas medianas, mas mesmo quem não foi contagiado pela “corbynmania” lhe reconhece integridade e coerência nos valores em que acredita.

Sem hipóteses de tornar-se primeira-ministra, Nicola Sturgeon pode ser, nestas eleições, o fiel da balança do poder: o Partido Nacionalista Escocês (SNP) é o terceiro maior partido na Câmara dos Comuns e poderá determinar o governo no caso de um parlamento sem maioria absoluta.

Militante do SNP desde os 16 anos, sucedeu a Alex Salmond na liderança em 2015, que se demitiu depois da derrota no referendo à independência da Escócia.

É formada em direito, casada com Peter Murrell, presidente executivo do SNP, e nunca desliga o telefone, garante a família, reflexo da dedicação à vida política, mesmo se elege ler como uma paixão e Portugal como destino favorito no estrangeiro.

Foi Nicola Sturgeon que conduziu os nacionalistas escoceses ao melhor resultado da história do partido, em 2015, quando o SNP elegeu 56 dos 59 deputados eleitos na Escócia para Westminster, roubando 40 assentos ao ?Labour’ e 10 aos Liberais Democratas.

Se repetir este resultado, Sturgeon, de 46 anos, poderá manter o estatuto de segundo maior partido da oposição, acima dos ?Lib Dems’, que, liderados por Tim Farron, têm o desafio de recuperar a popularidade perdida graças à visibilidade na oposição ao ‘Brexit’.

A seu favor tem o facto de nunca ter feito parte dos escolhidos do antecessor Nick Clegg para entrar na coligação com o partido Conservador entre 2010 e 2015 e de ter votado contra o aumento das propinas universitárias, questão que foi tóxica para o partido.

Farron, de 47 anos, tem um historial longo de ativismo político na universidade e em associações ambientalistas ou de ajuda aos sem-abrigo, em paralelo com a prática de futebol e a participação em grupos musicais.

Adepto da liberalização das drogas leves, é também um cristão evangélico, motivo para ter confrontado frequentemente com a sua opinião sobre a homossexualidade, que a Igreja considera ser pecado.