Na edição impressa do passado sábado, dia 17 de Junho, o Diário de Notícias brindou-nos com dois textos sobre as “homilias repetitivas” , “...sem chama e novidade...”do Senhor Bispo D. António Carrilho, na Solenidade da Festa do Corpo de Deus. Acusa-o de “défice de criatividade discursiva” na rubrica Figura, em grande destaque na respetiva contracapa. Mais acresce, por infeliz coincidência, a carta do leitor “hipocrisia católica”, em que a sua autora, Maria Vieira, diz não ter gostado da “homilia do dito pastor sem rebanho, sem chama e novidade”.

Pensei que a rubrica Figura procurasse relevar uma figura pública, por aquilo que de bem traz à sociedade dita laica em que vivemos, no respeito pelas garantias, direitos e liberdades individuais. É salutar saber que a investigação jornalística se debruçou sobre as homilias dos últimos 10 anos, acessíveis a qualquer pessoa na página da internet da Diocese do Funchal e enviadas a todas as redações dos nossos órgãos de comunicação social da Região. Repudio sim a manipulação tendenciosa do conteúdo das mesmas e a depreciação pública de quem as prepara e disponibiliza por escrito. Todos os excertos apresentados na contracapa são da Doutrina Social da Igreja, isto é, critérios de ação cristã em ordem ao bem comum, no quotidiano da vida dos cidadãos. Nunca é de mais relembrar, recordar e estimular, em ordem a uma intervenção mais eficaz, conducente ao bem estar e vida plena para todos. Claro que frases há que são afirmações chave dos Papas, cujo conteúdo não pode ser alterado. Em suma, na leitura que fiz de todos os excertos por vós apresentados, não achei que houvesse mais do mesmo.

Nunca é de mais recordar que os belos tapetes de flores que ornamentam o trajeto das procissões são preparados em honra e louvor de Cristo Vivo que passa, na custódia que o Ministro ordenado leva consigo. Tal como o afirma o nosso Bispo D. António Carrilho,...“Em redor de Jesus-Eucaristia congrega-se uma multidão de crentes, que exprime a sua fé na celebração e procissão eucarística, no silêncio, no respeito, na oração e nos belos tapetes de flores, que a todos encantam”.

As festas religiosas que por toda a nossa Diocese têm lugar após a Solenidade da Festa do Corpo de Deus reforçam a nossa pertença a Cristo, a comunhão fraterna e a missão da transformação do meio em que vivemos, segundo os critérios evangélicos. São um estímulo à nossa participação e corresponsabilidade eclesiais. Não são apenas eventos interessantes, que atraem multidões de fiéis pelo colorido das ornamentações e pelos espetáculos musicais e outras circunstâncias de entretenimento. Tudo isto deve ser consequência da alegria de ser cristão e de aprofundarmos a vivência comunitária da nossa fé.

O vosso estatuto editorial defende uma informação “objectiva, independente e responsável, alicerçada na defesa dos interesses dos madeirenses e porto-santenses, porta voz dos princípios e valores defendidos e aceites pela comunidade madeirense, debatendo ideias susceptíveis de promoverem o enriquecimento da opinião pública, sempre norteados pelos valores éticos e cívicos que informam a nossa maneira de ser e estar no mundo”, entre outros items.

Por favor e se possível, em que é que estes dois artigos publicados salvaguardam o supracitado? Inclino-me, com algum pesar e desilusão, para uma certa “hipocrisia jornalística”.

Gerardo Freitas