Em Agosto do ano passado a Madeira foi fustigada por um violento incêndio, com várias frentes, cujo desfecho trágico é do conhecimento de todos.

Imediatamente, gente sem carácter, aproveitou o momento para tirar, ou tentar tirar, dividendos políticos da situação, acusando injustamente e sem qualquer fundamento o Presidente da Região Autónoma, Dr. Miguel de Albuquerque, de ser o responsável pelas consequências do incêndio, de origem criminosa.

Desde sábado que o Continente é fustigado por um dos mais violentos incêndios, quiçá o mais violento, de que há memória e que provocou a maior hecatombe humana desde que há registos – 62 mortos e igual número de feridos, sendo previsível o aumento destes números quando for possível fazer o rescaldo final do fogo -.

Existem várias curiosidades entre os diferentes comportamentos face aos dois acontecimentos.

Desde logo, neste caso, a solidariedade política. Até ao momento em que escrevo estas linhas não vi nenhum político nem figura pública assacar as responsabilidades a António Costa (que há um ano garantia ir acabar com este flagelo) ou à Ministra da Administração Interna. E desta vez, pelo menos em relação ao Secretário de Estado deste Ministério há fortes motivos de contestação e exigência da sua demissão. Este Senhor, há uns meses, declarava numa entrevista que os nossos bombeiros não passavam de uns “amadores”, para além de outros mimos e críticas. Se tivesse o mínimo de dignidade, demitia-se imediatamente.

Depois, a celeridade com que se atribuiu o incêndio a causas naturais, com o prodígio de se conseguir identificar a árvore atingida pelo raio. Desde logo se colocam algumas questões pois, segundo vários testemunhos, o fogo terá tido início pelas 15 horas e segundo vários relatos a trovoada ocorreu por volta das 18 horas... Que raio de coisa esta! Algo não bate certo e a verdade é que no domingo à noite já se falava num possível inquérito a levar a cabo pelo Ministério Público perante a eventualidade de mão criminosa (infelizmente, é o mais provável, como de costume).

No meio de tanta desgraça – pessoal, material e moral (aproveitamento político na Madeira) – há que enaltecer um denominador comum aos dois incêndios (Madeira e Pedrógão) que é o espírito de solidariedade dos portugueses, mas sobretudo a coragem e dedicação daqueles que combatem os fogos.

Urge impor aos políticos que tomem medidas sérias para evitar mais desgraças como estas com a certeza de que perante a sua inépcia e passividade, pelo menos moralmente, serão sempre co-responsáveis por estas tragédias.

Nuno Alves Caetano