Desapareceu Alípio de Freitas, Homem de rara grandeza! Foi padre em Portugal e no Brasil, a convite do arcebispo de Maranhão, com estreita ligação aos desafortunados da vida, fundando uma paróquia, uma escola e um posto médico. Foi percursor das Ligas Camponesas no Brasil, político activo, professor universitário, jornalista na RTP, membro da Comissão Coordenadora do Tribunal sobre o Iraque e Presidente da Associação José Afonso.
Vi, com emoção, um documentário transmitido na RTP2, onde também foi descrita a sua cruel passagem pela prisão no Brasil, entre 1970 e 1979, tendo sido sujeito à tortura do sono durante 30 dias (!) e outras sevícias como simulação de afogamento e choques eléctricos, nomeadamente nos órgãos genitais. A tudo resistiu sem falar. É obra! Caracterizou-se como cidadão simples de consciência cívica a favor dos pobres. Foi uma alma grande!
A Assembleia da República aprovou um voto de pesar pela morte de Alípio de Freitas, com excepção do extremado direitismo do CDS. Alípio teria ficado indignado, caso este votasse a favor...
O saudoso cantautor José Afonso dedicou-lhe expressamente uma canção: «Baía da Guanabara/Santa Cruz na Fortaleza/está preso Alípio de Freitas/Homem de grande firmeza»!
Com a idade a avançar, a sua visão foi fraquejando, mas a sua militância a favor dos desprotegidos nunca parou.
Glória Eterna a Alípio de Freitas!
Vítor Colaço Santos