A escola chega ao fim e dá lugar ao sol, praia e férias. Mas, para muitos, os pesadelos, o medo, inquietação e egos feridos vão dentro da mochila para casa, como uma companhia invisível. Estamos a falar das vítimas de bullying nas escolas. São constantes e frequentes os casos de bullying nas escolas, entre coleguinhas e até professores-alunos. Exemplo disso é a dupla de terror que atormenta alunos e pais na escola de Ponta Delgada. São dois irmãos já conhecidos e referenciados entre os colegas como dois alunos que fazem “a vida num inferno” aos demais colegas. Ameaçam, acusam, mentem, publicam no facebook dos colegas factos falsos fazendo-se passar por eles e até batem nalguns alunos. E ninguém faz nada. Desde os pais que ouvem as queixas dos filhos, em casa e pedem paciência, aos funcionários que ignoram e fazem que não vêem, aos professores que ainda castigam as vítimas, para que se calem, até à diretoria que ignora e cala a existência desta realidade. Há-de lá se saber porquê! E a revolta e injustiça vão crescendo. Os pais mais atentos alegam motivos pessoais para transferir os seus filhos de escola e tudo fica na mesma. Os pais menos pacientes confrontam os meninos agressores e tentam fazer-lhes ver que não se devem comportar assim, e ainda são repreendidos pela diretoria, pois não podiam fazer aquilo. Pois sim, é bem verdade, mas onde está a escola na defesa dos que sofrem durante 10 meses este tipo de agressão? Mas esta escola não se fica por aqui. Temos também os professores que gritam com os seus alunos de forma desmedida, chamando-os de “vacas lentas”, “cavalos lentos” e que descriminam os alunos conforme os seus progenitores sejam ou não filhos de colegas ou de amigos pessoais. E lá vão os meninos todos os dias empurrados pelos pais para a escola! E os meninos agarram-se ao portão aos gritos, e choram compulsivamente no pátio para não entrar, mas os pais com horários para cumprir lá viram costas e correm para o trabalho, pois pensam que aquela “birra” irá passar ignorando os reais motivos do choro do seu filho(a). Pois bem, aproveitem as férias e conversem com os vossos filhos, oiçam os desabafos deles e vejam se a escola está a desempenhar bem as suas funções. A escola é nossa, de todos e para todos, não apenas de alguns, mas são os pais quem devem fazer valer esse princípio. Os agressores, os maus professores e os maus directores não devem permanecer. Boas férias a todos!

C.G.