Homens armados disfarçados de militares estão a fazer dezenas de reféns num popular restaurante da capital somali, num ataque que começou com a explosão de um carro na entrada do estabelecimento, informou a polícia.

O capitão da polícia Mohamed Hussein detalhou que há nove mortos e vários feridos confirmados, na sua maioria jovens que estavam na entrada do restaurante Pizza House, quando o veículo explodiu.

O grupo extremista Al-Shabab já reivindicou a autoria do ataque.

Depois da explosão do veículo foi ouvido um tiroteio dentro do restaurante.

Os atacantes do restaurante “estavam vestidos com uniformes militares e forçaram as pessoas que estavam a fugir a irem para dentro” das instalações do estabelecimento, afirmou uma testemunha, Nur Yasin, à Associated Press.

A explosão destruiu a fachada do edifício e provocou um incêndio. Apesar de o Al-Shabab ter garantido que atacou o restaurante Posh Treats, que é frequentado pela elite da cidade e foi atingido pela explosão, a polícia assegurou que o estabelecimento visado foi o Pizza House.

As forças de segurança socorreram empregados asiáticos, etíopes, quenianos e de outras nacionalidades no Posh Treats, disse Hussein.

O grupo extremista Al-Shabab ataca com frequência áreas privilegiadas de Mogadíscio, como hotéis, pontos de controlo militares e próximos do palácio presidencial. Depois de o recém-eleito governo somali ter lançado uma nova ofensiva militar contra si, o grupo prometeu realizar mais ataques.

No último ano, o Al-Shabab foi o grupo islamita mais mortífero em África, com mais de 4.200 pessoas assassinadas, segundo o levantamento realizado pelo Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS, na sigla em Inglês).

Este grupo está a sofrer novas pressões militares dos EUA, depois de Donald Trump ter aprovado a expansão de operações, incluindo ataques aéreos, contra o Al-Shabab. No domingo, militares norte-americanos em África fizeram um ataque aéreo no sul da Somália que matou oito membros do grupo num campo de apoio e comando destes milicianos.

O presidente da Somália, Mohamed Abdullahi Mohamed, confirmou este ataque aéreo e disse que tais ataques reduziriam a capacidade do grupo de fazer novos ataques.

Com um novo governo estabelecido, está a subir a pressão sobre a Somália para que os seus militares assumam a responsabilidade total pela segurança do país.

A força multinacional da União Africana (AMISOM, na sigla em Inglês), que se tem apoiado no frágil governo com 22 mil efetivos, vai começar a reduzir a sua presença em 2018 e deve sair do país em 2020.

Também hoje, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) adotou por unanimidade uma resolução que prolonga a missão política da ONU na nação do Corno de África, que se procura reconstruir depois de mais de duas décadas como Estado falhado, até 31 de março de 2018.

No texto, reconhece-se que “este é um momento crítico para a Somália”.