O tema continua na ordem do dia: o excesso de peso provoca doenças em mais de dois milhões de pessoas que, por sua vez, estão a provocar cada vez mais mortes em todo o mundo. E se há países que não têm condições para apostar em estratégias que minimizem o problema, em Portugal não existem razões para adiar a solução.

A afirmação é da Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, ao DN Madeira: “É urgente trabalhar o lado social deste problema. A situação é tão preocupante que não há tempo para esperar. Com os actuais níveis económicos e educacionais do nosso país, com todos os profissionais e quantidade de estudos que temos, não há razão para esperar”, reitera.

Para a nutricionista, a resolução do problema não passa apenas pela conscientização individual, mas também pelo compromisso toda a sociedade: “É preciso envolver a indústria alimentar, os restaurantes e as escolas” para existirem opções de alimentos saudáveis em todos os espaços de restauração e refeitórios.

O excesso de peso foi um dos temas em debate esta segunda-feira na Suécia, no Fórum da Alimentação de Estocolmo, a propósito das conclusões de um novo estudo publicado no New England Journal of Medicine. O trabalho esclarece ainda que há 4 milhões de mortes por ano, em todo o mundo, relacionadas com o excesso de peso – mesmo que estas pessoas não sejam classificadas como obesas.

Alexandra Bento explica: “A obesidade é uma doença caracterizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e o excesso de peso não é considerado doença, mas um factor de risco”. Pelas tabelas da OMS, quando existe um IMC (Índice de Massa Corporal) superior a 24,9” já é considerado obesidade. “É uma medida proporcional e um indicador simples”, explica a nutricionista, mas permite fazer um primeiro despiste. O certo é que, quer se degenere em doença quer não, o excesso de peso pode levar à morte.

“As situações que têm mais impacto populacional são a hipertensão arterial – que é um factor de risco para as doenças cardiovasculares - a diabetes, as doenças osteoarticulares, vários tipos de cancro e, claro, a obesidade”, esclarece a especialista.