A eurodeputada do Partido Socialista, Liliana Rodrigues, enviou hoje uma carta à Comissão Europeia em que questiona o órgão executivo comunitário sobre a recente detenção pelas autoridades turcas de Taner Kiliç, dirigente da Amnistia Internacional (AI) no país.
“Enquanto defensora da democracia e da liberdade, não entende a Comissão Europeia dever pronunciar-se sobre a arbitrariedade das detenções generalizadas na Turquia e sobre esta em particular?”, questiona a eurodeputada, integrada no Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas do Parlamento Europeu.
O presidente da secção turca da AI, Taner Kiliç, foi detido na madrugada de 06 de junho acusado de vínculos à confraria de Fethullah Gülen, que Ancara afirma ter fomentado o fracassado golpe militar de 15 de julho de 2016.
Na sua exposição, Liliana Rodrigues sublinha que o responsável na Turquia da organização não governamental de direitos humanos possui “um longo e conhecido percurso na defesa da liberdade” e considera que “sem a necessária pressão internacional, a atual repressão política dos ativistas da sociedade civil pode levar a uma deterioração irremediável dos direitos humanos e da democracia na Turquia”.
Kiliç foi detido na sua casa na cidade de Izmir, com a polícia a revistar minuciosamente o seu escritório, copiando os seus ficheiros do computador na presença dos seus advogados, referiu na ocasião à agência noticiosa Efe Andrew Gardner, outro membro da AI na Turquia.
Juntamente com Kiliç foram detidos outros 22 advogados turcos, todos sob a mesma acusação genérica de “vínculos com a Organização Terrorista Fethullah Gülen (FETÖ)”, o nome com que o Governo turco descreve a confraria, mas sem precisar uma acusação individual.
A eurodeputada insta a Comissão Europeia, “enquanto defensora da democracia e da liberdade”, a pronunciar-se “sobre a arbitrariedade das detenções generalizadas na Turquia e sobre esta em particular”, e a revelar “que medidas concretas pretende desenvolver junto do Governo turco” para a libertação de Taner Kiliç, dos 22 advogados “e de todos os demais cidadãos presos sem prova material de envolvimento na tentativa de golpe de estado de 15 de julho de 2016”.
Ao justificar o envio das questões à Comissão Europeia, Liliana Rodrigues considera, ao citar o secretário-geral da AI, Salil Shetty, que a prisão do responsável da secção turca “reflete não só um total desrespeito pelos direitos humanos, mas um claro desejo de atingir aqueles que os defendem”.
Liliana Rodrigues recorda que desde a tentativa de golpe de Estado, em julho do ano passado, as autoridades turcas “prenderam 50 mil pessoas e demitiram ou suspenderam 150 mil, incluindo soldados, policias, professores e funcionários públicos, por supostas ligações com grupos terroristas”.
“Dada a total arbitrariedade na procura e caça de opositores ao Governo, ninguém está seguro na sociedade turca atual e Taner Kiliç é apenas a mais recente vítima da purga levada a cabo por Erdogan”, frisa ainda a eurodeputada, numa referência ao atual Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.
Liliana Rodrigues também assinala que a União Europeia não deve permanecer em silêncio “principalmente porque mantém em vigor acordos comerciais e de migração com este país”.
