O Governo considerou ontem que os refugiados e a comunidade cigana são “os desafios fundamentais” para o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) e apelou a uma maior intervenção nas áreas da igualdade de género e dos afrodescendentes.
Na VIII Convenção do Alto Comissariado para as Migrações, que decorreu ontem no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, a secretária de Estado da Cidadania e da Igualdade, Catarina Marcelino, afirmou que há “dois desafios fundamentais neste momento” para o ACM, por um lado a intervenção junto dos refugiados e, por outro, a atuação na comunidade cigana.
Referindo que o Governo está “empenhado em ter uma participação ativa” na política europeia de acolhimento dos refugiados, Catarina Marcelino disse que “o ACM tem um gabinete específico que trabalha esta área” e acrescentou que “é muito provável que a curto prazo a casa toda se mobilize e se envolva neste trabalho”.
Para a governante, a questão dos refugiados “não é uma questão marginal dentro do ACM, é uma questão central que tem de envolver todos e todas como força motriz de apoio e de integração destas pessoas em Portugal”.
O segundo desafio que a secretária de Estado apontou prende-se com a comunidade cigana, “uma minoria cultural com fragilidades sociais e de integração muito grandes”, que totaliza as cerca de “40 mil pessoas”.
Nesta matéria, Catarina Marcelino entende que há “três áreas fundamentais” de atuação: a habitação, que disse ser “um problema grave” para cuja solução “as autarquias são muito importantes”, o emprego e a educação.
A governante destacou também, como “áreas de reflexão importante a fazer” a intervenção do ACM junto dos afrodescendentes em Portugal, que “se deparam com um conjunto de estigmas sociais que se refletem depois na sociedade portuguesa”, dando o exemplo da Assembleia da República, dos institutos públicos e das universidades.
“Não estamos a falar de radicalismos, mas temos de ter provavelmente algumas medidas políticas para corrigir esta desigualdade de oportunidades”, reiterou.
Finalmente, Catarina Marcelino disse que também a área da igualdade de género “tem sido pouco desenvolvida na perspetiva do ACM” e defendeu que, “se não houver um envolvimento maior do ACM”, será difícil resolver alguns problemas, sublinhando que “a única maneira de combater estes problemas é trabalhar com estas comunidade e com os líderes religiosos dessas comunidades”.
