Desde que iniciei os meus estudos musicais na então Academia de Musica e Belas-Artes da Madeira, exatamente há 50 anos, não imaginava que um dia iria poder constatar um tal desenvolvimento do ensino das Artes nesta Região. Éramos muito poucos alunos e se, por um lado, se comentava tratar-se de uma escola de elites, a verdade é que tive colegas com fracos recursos financeiros e de meios rurais menos desenvolvidos que, através de bolsas de estudo, frequentavam esta escola que nos marcou, positivamente, a todos. Passadas cinco décadas e com a Autonomia da Madeira foi possível, graças a grandes esforços e muita boa vontade, fazer a massificação do ensino das artes, de forma oficial, em todo o sistema educativo regional. Por outro lado, constatamos, com enorme satisfação e regozijo, o constante aparecimento de várias escolas particulares nas áreas da música, da dança e do teatro. Também várias associações particulares, coros, tunas, orquestras de bandolins e casas do povo têm criado, ao longo destes anos, iniciativas que proporcionam às crianças e aos jovens das suas localidades uma oferta formativa informal. Da mesma forma, a maioria das bandas filarmónicas tem feito um grande esforço no rejuvenescimento dos seus membros, com a criação de escolas de música, apresentando repertórios de melhor qualidade. Todo este movimento artístico das artes de palco tem sido importante para: 1) sensibilizar os pais e encarregados de educação para a importância das artes na formação integral das crianças e dos jovens; 2) ocupar, de forma salutar, os tempos livres das crianças e jovens; 3) estimular o consumo cultural por parte da nossa comunidade, numa região onde proliferam os eventos, um pouco por toda a Ilha; 4) proporcionar eventos com artistas amadores que ajudam a criar um cartaz cultural junto daqueles que nos visitam, os turistas; entre muitos outros... Mas, há um fator importante nesta massificação das artes. A importância na triagem daqueles que manifestam talento, empenho e uma profunda dedicação ao estudo de uma destas artes e que querem, verdadeiramente, investir nestas áreas como vocação. Para isso contam com uma Instituição certificada que é o Conservatório – Escola das Artes da Madeira, Eng.º Luiz Peter Clode. É nesta Instituição que essas crianças e jovens devem prosseguir e/ou aprofundar os seus estudos, por forma a poderem preparar-se para seguir um futuro nas artes. O Conservatório deve ser a Escola de “elite” na formação para as Artes e não uma Escola de “ocupação dos tempos livres”. Para isso há um variadíssimo leque de instituições que o podem fazer e bem. Esta situação faz-me lembrar a nossa floresta e o problema que temos com os eucaliptos. São árvores que crescem muito rápido, graças ao facto de consumirem toda a água disponível e assim vão “matando” todas as outras espécies à volta. Prefiro o til, o vinhático, o barbusano. Vivem e convivem com as restantes espécies da Laurissilva da Madeira. Cada uma com o seu papel e a sua função primordial. O mais importante é que cada um procure o seu “foco” e faça dele a sua meta. Assim, estaremos todos contribuindo para uma Região mais culta e mais preparada para enfrentar um futuro incerto.