Quem ama a sua cidade, como a maioria dos funchalenses, arrelia-se perante o seu estado de abandono a que ela está votada. É certo que há feridas antigas por sarar, que em quatro anos seria difícil curar. Mas, aquilo que temos neste mandato da Mudança são apenas bonitos embrulhos, completamente ocos. Se um extra-terrestre ler tudo o que sobre o Funchal foi noticiado, nestes quase quatro anos, vai andar à procura dum destacado ponto reluzente na noite do hemisfério-norte nesta zona do Atlântico. A visão de quem cá vive, é substancialmente diferente. Foi mais o espalhafato nos jornais e redes sociais, do que no trabalho efectivo pela cidade e pelos seus cidadãos. Governar uma cidade com o estatuto que o Funchal já granjeara, não é tarefa para amadores, guiados pela cartilha do marketing - ou, como agora sucede - por interesses obscuros a partir de Lisboa, que telecomandam uns lacaios oportunistas, que anseiam escalar por mais poder reeditando uma nova colonia. Não basta sorrir, seduzir e arregimentar simpatias com obras lançadas a meses de eleições. Tal como não basta “comprar” outros apaniguados em troca de favores políticos que lhe garantam apoio. Deixem a minha Cidade fora disso. Limpem-na e não tragam mais “lixo” oriundo da teia subterrânea de interesses, que afastam os cidadãos dos assuntos da Pólis, onde a comunidade se realiza, e pretende prosperar neste legado de cinco séculos, que mostrou o quão forte foi a nossa gente.

Quero sim, um Funchal forte que retome uma linha traída pelos mesmos, que agora acenam uma “confiança” estéril, feita de engano, salivando por mais poder, como se fosse possível ludibriar novamente os funchalenses, e assim adiar a Cidade por mais quatro penosos anos!

Donato Macedo