Segundo dados divulgados recentemente pela Direcção Regional de Estatística, o aumento de 20,8% face ao trimestre homólogo (22,6 mil toneladas), o segundo valor mais alto em oito trimestres, só ultrapassado pelos resultados do 3.º trimestre de 2016.
Se compararmos com o trimestre anterior (4.º trimestre de 2016), a variação foi igualmente positiva, de 16,7%, o que deixa antever uma melhoria, nomeadamente alimentada pelas obras públicas e privadas que ocorrem actualmente em maior dimensão do que no auge da crise económica e financeira.
Refira-se que as vendas da matéria-prima para a construção civil na RAM tinham ‘batido no fundo’ no 4.º trimestre de 2015, com vendas a passar pouco acima das 20 mil toneladas. Desde então, num constante sobe e desce, mas sempre alimentadas pelo volume maior de obras públicas que, aos poucos, o Governo Regional vai lançando (sobretudo canalização de ribeiras, conclusão de estradas, viadutos e túneis), mas também alguma obra privada (a maior é o novo hotel Savoy que ganha volume ao ritmo do cimento).
Longe vão os tempos em que um trimestre valia por dois anos actuais da matéria-prima, é certo. Em 2004, com o volume de obras públicas em volume acelerado e por toda a Região, em que muitos milhões de euros foram investidos na infra-estruturação da Madeira e do Porto Santo, as vendas de cimento valeram quase 774,6 mil toneladas.
O que deu em média 193,6 mil toneladas de cimento vendido por trimestre. Ou seja, pegando com os valores dos últimos dois anos (96,9 mil toneladas em 2015 e 98 mil toneladas em 2016), dá a razoável soma de 195 mil toneladas, valor ligeiramente superior à referida média de um único trimestre dos tempos áureos da construção na Região. Com o início da crise de 2008, mas sobretudo com a possibilidade de recorrer a apenas um máximo de 150 milhões de euros de investimentos públicos, a obra pública quase paralisou a partir de 2012.
Uma ideia mais aproximada do quanto se consumia cimento nesta terra (ou deixou-se de consumir tanto cimento) é ter atenção a este número: 32.274 toneladas. É o valor médio de cimento vendido em duas semanas desse ano de 2004, o que aos valores actuais são mais cinco mil toneladas de cimento de toda a matéria-prima de base da construção comercializada nos primeiros três meses deste ano. É obra.
Ainda mais significativo é o facto de nem juntando todos os volumes de vendas de cimento dos últimos cinco anos, desde 2012 a 2016, num montante de 624.741 toneladas, se consegue atingir os valores totais consumidos em 2004.

