António Pedro Freitas, presidente do Conselho Médico da Região Autónoma da Madeira da Ordem dos Médicos, disse que é necessário “revitalizar” a classe médica através da criação de um sistema baseado no mérito que “ultrapasse a fronteira do mar”, até porque o facto de os profissionais estarem numa ilha faz com que seja difícil dar continuidade à formação.

Após a reunião com Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional, e Pedro Ramos, secretário regional da Saúde, realizada ao fim da tarde, na Quinta Vigia, referiu que é importante “fornecer aos madeirenses cuidados de saúde com qualidade e na quantidade certa”.

“Às vezes nós queremos deitar a culpa para fora e esquecemo-nos de olhar para dentro da casa e existem coisas que podemos fazer para melhorar as tais capacidades de idoneidade. Nós, cá na Madeira, temos bons profissionais com excelentes notas no fim da especialidade e o que nós queremos é dar uma continuidade a esse trabalho e ter capacidade logística para poder fazer algo com esse ‘know-how’ que a Região tem”, frisou.

António Pedro Freitas referiu ainda que na reunião mantida com os governantes pediu “incentivos e medidas que ajudassem a fixar e a atrair novos colegas para a Madeira”, tendo a resposta sido “positiva”.

“Pediram-nos para escrever algumas das propostas que chegamos a falar, sendo que uma delas tem a ver com a formação. Nós estamos numa área em que a formação é essencial, mas manter o update tem custos. Nós vivemos numa ilha e temos de sair dela e isso tem custos monetários, de serviço e de tempo despendido no exterior. Por exemplo, para alguém de Lisboa é muito mais simples sair de manhã de casa, ir até ao Algarve a um congresso e voltar ao fim do dia, na Madeira isso é impossível”, afirmou, acrescentando que é preciso garantir financeiramente esta necessidade sentida pela classe.

Sobre a falta de medicamentos, o presidente do Conselho Médico da Região Autónoma da Madeira da Ordem dos Médicos afirmou que houve “alguma melhoria” e em relação à escassez de profissionais deste sector de actividade referiu que ainda estão a “tentar colmatar essas falhas”, sobretudo no que diz respeito “à fixação, às condições de trabalho e à maior produtividade”.