A secretária regional do Ambiente e dos Recursos Naturais foi à Eira do Mourão tentar tranquilizar as mais de seis dezenas de proprietários das nascentes das zonas altas (Espigão e Ribeira Funda) da Ribeira Brava, dizendo-lhes que os estragos causados pela construção do canal que está sendo executado para transportar água serão “assumidos” pelo governo, todavia os populares estão muito desconfiados que isso possa vir acontecer, particularmente na reposição do caudal de água que possuem.
Susana Prada chegou a garantir “se os caudais das nascentes ficarem diminuídos ou secarem - já sabemos que caudais essas nascentes têm no Verão - esses caudais serão repostos”. Nesse caso, a governante explicou que irá mandar “construir um reservatório”, compensando, por esta via, eventuais perdas devolvendo a “mesma quantidade de água que têm tido durante os verões”.
As palavras da tutelar dos recursos naturais da Região acalmaram os ânimos que chegaram a estar exaltados face ao risco que muitos julgam poder perder uma significativa quantidade de água que serve para regar as parcelas de terra de cultivo.
Manuel Pestana mostrou-se muito cauteloso face à proposta apresentada pela secretária regional do Ambiente e dos Recursos Naturais: “O que nos foi apresentado seria a reposição das fontes se as mesmas fossem afectadas, mas a população não está para isso”, avisa o agricultor. “O que queremos é que façam o túnel do sítio da Varanda à Ameixeira, aproveitando o canal da Eira do Mourão”, todavia o desejo ficou de ser analisado, disse.
“Não sabemos o que eles [Governo] vão fazer”, mas uma coisa é certa: “Coisa de boca estamos farto”, sentenciou num tom desagrado.
De resto, a secretaria regional do Ambiente e dos Recursos Naturais admitiu que “algumas nascentes correm o risco de verem o caudal diminuído ou até algumas secarem“.
O túnel do Espigão foi projectado para substituir o canal do Norte, num estado de degradação elevado, apresentando “risco iminente de ruir”, inclusive perigando as vidas dos trabalhadores da ARM, bem como prejudicar os regantes da zona Sul, “desde a Ribeira Brava até Câmara de Lobos, o que representa cerca de 9 mil regantes que poderiam ficar cerca de um ano sem água de rega devido à ruptura do canal”, observou.
Candidatos presentes

