O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, do Governo) anunciou hoje que entregará um relatório ao papa Francisco “a “provar” a participação da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) em atos desestabilizadores, a favor da oposição.
“Esse ódio não pode continuar a existir no país. A Igreja não deve continuar a contribuir para a divisão dos venezuelanos. A Igreja é um ponto de encontro onde todos coincidimos”, disse um dos dirigentes do PSUV aos jornalistas.
O anúncio do PSUV acontece um dia depois de milhares de opositores terem realizado um plantão em 21 dos 24 Estados do país, para exigir a realização de eleições gerais, pela libertação dos presos políticos e em protesto por duas recentes sentenças em que o Supremo Tribunal de Justiça concede poderes especiais ao chefe de Estado (Nicolás Maduro), limita a imunidade parlamentar e assume as funções do parlamento.
Segundo Juan Carlos Alemán, porta-voz do PSUV, a preparação do relatório pra entregar ao papa tem lugar depois de observar atos do cardeal venezuelano Jorge Urosa Savino, “gerando situações desestabilizadoras e beneficiando a oposição na sua tentativa de golpe de Estado”.
“Para que haja paz, tem que haver justiça. Se não houver justiça dificilmente teremos um Estado em paz, como quer a maioria da população. Apenas um grupinho é que não deseja paz”, declarou.
Para os socialistas, devem ser sancionados “aqueles atores que, com ações terroristas, têm ocasionado perdas humanas e materiais”.
Em várias oportunidades, a Conferência Episcopal Venezuela tem denunciado que há uma tentativa de instaurar um regime totalitário, marxista no país e apelado ao Governo venezuelano para parar com a repressão a manifestantes opositores e para libertar os presos políticos.
Desde 01 de abril último que se intensificaram os protestos opositores na Venezuela, durante os quais pelo menos 21 pessoas morreram.
