Nesta quarta-feira, 19 de Abril, o Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira (ABM) formalizou, através da assinatura de um protocolo, a prestação de apoio técnico ao Arquivo Histórico da Diocese do Funchal (AHDF).
“A assinatura deste protocolo vai permitir que a partir de agora, nos nossos inventários, passe a constar informação sobre a documentação que se encontra no Arquivo da Diocese. Isto será uma mais-valia para um investigador porque a informação está concentrada num único instrumento”, referiu Fátima Barros, directora do ABM.
Por detrás deste protocolo que oficializa esta ‘união’, há todo um trabalho realizado desde 1997 entre as duas instituições, sendo que o ABM já possui todos os registos de baptismo, casamento e óbito de todas as paróquias da Região, que tem sido fundamental para o estudo da genealogia, que é não só importante na área da investigação, mas também no conhecimento das famílias.
“Nós não queríamos arquivos mortos. Queremos ter pessoas que trabalhem, que dêem vida a este mesmo Arquivo”, afirmou o vigário geral da Diocese do Funchal, cónego Fiel de Sousa, referindo-se ao AHDF. “Naturalmente, isto só se pode fazer através de pessoas competentes que tenham os meios técnicos e, como sabemos, aqui [ABM] é feito conforme a norma internacional de descrição arquivística”. No entanto “há sempre uma identidade e uma autonomia que têm de ser respeitadas porque, naturalmente, cada arquivo nasce de uma realidade própria. A cultura, antes de ser universal, foi particular”, acrescentou.
Esta intervenção resultante do protocolo realiza-se no âmbito do trabalho de conhecimento, catalogação, inventariação e disponibilização da informação, de forma a facilitar e apoiar a investigação histórica na área eclesiástica. “Há uma garantia de continuidade deste trabalho que é um aspecto que vai permitir a pesquisa histórica e eclesiástica na Região e permitir também que se faça a História da Diocese do Funchal, que não é só religiosa mas tem uma grande importância social e cultural”, referiu Eduardo Jesus, secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, que também marcou presença no evento.
“Foi através da Igreja que aconteceram estes registos, acima de tudo, os de casamento e baptismo e que nos permitem hoje conhecer toda a História da presença humana, neste caso particular, na Região Autónoma da Madeira. Sem o contributo, sem a preservação por parte da Igreja, tínhamos perdido a noção do nosso passado, tínhamos perdido as referências das nossas memórias e seríamos um povo bastante mais pobre e à procura de orientação”.
Até 2020, prevê-se a “elaboração de vários instrumentos descritivos como o Arquivo do Episcopado e dos Bispos do Século XVI até ao Século XIX e o Arquivo do Cabido da Sé e do Colégio dos Jesuítas. São áreas fundamentais que permitem cobrir temporalmente e geograficamente toda a nossa História”, concluiu Eduardo Jesus.

