O principal partido da oposição turca pediu a recontagem de 37% dos votos expressos no referendo de hoje sobre a revisão constitucional, após denunciar irregularidades no sufrágio.
O Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata), através do seu vice-presidente, disse que vai contestar 37% dos boletins de voto no referendo de hoje que reforça dos poderes presidenciais, admitindo que esse número pode aumentar até aos 60% dos sufrágios.
“Desde esta manhã que determinámos a existência de 2,5 milhões de votos problemáticos”, afirmou Erdal Aksunger.
O partido da oposição pró-curda e de esquerda, que também se opôs às alterações constitucionais, disse por sua vez que pretende contestar 2/3 dos votos expressos.
Na sua conta ‘twitter’, o Partido Democrático dos Povos (HDP) refere que os dados na sua posse “apontam uma manipulação numa escala de 3 a 4%”.
Cerca de 57 milhões de eleitores decidiram hoje sobre a aprovação ou rejeição das reformas constitucionais destinadas a substituir o sistema parlamentar -- a base em que assenta uma instável democracia secular -- por um regime presidencialista, eliminando o cargo de primeiro-ministro e transferindo os seus poderes para o chefe de Estado.
O voto “sim” liderava quando estavam contados 98 por cento dos votos, garantindo a vitória ao Presidente Recep Tayyip Erdogan.
A vitória do “sim” permite concretizar 18 reformas constitucionais que dão ao Presidente o poder para designar ministros e altos responsáveis oficiais, nomear metade dos membros da mais alta instância judicial do país (HSIK), declarar o estado de emergência e emitir decretos.
A aprovação das alterações à Constituição, que se aplicariam desde 2019, poderiam permitir a Erdogan governar até 2029 (dois mandatos) ou até 2034, na eventualidade de um terceiro mandato.
Primeiro-ministro durante 11 anos, desde 2003 e um ano após o seu islamita-conservador Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, no poder) ter garantido a primeira maioria absoluta, Erdogan foi eleito Presidente em 2014 para um mandato de cinco anos e registou uma atividade política muito mais visível que os seus antecessores, apesar de a Constituição ainda lhe conferir uma função neutral.
Erdogan argumenta que foi o primeiro presidente da Turquia a ser diretamente eleito por sufrágio universal -- na República fundada por Mustafa Kemal Tatatürk em 1923 os chefes de Estados foram eleitos até 2014 pelo parlamento --, possuindo dessa forma uma legitimidade que os seus predecessores não podiam reivindicar.
