A Cofina Media tem ajustado as equipas, reduzindo na imprensa, e “não coloca de lado a utilização dos meios legais disponíveis, se tal for necessário”, para ajustar a atividade às tendências de mercado, disse à Lusa fonte oficial.

Questionada sobre rescisões voluntárias no grupo que é dono do Correio da Manhã e do Jornal de Negócios, fonte oficial da Cofina Media disse que a empresa “tem vindo a ajustar as suas equipas, reduzindo na imprensa e apostando cada vez mais no digital, na multimédia”.

E adiantou que “não coloca de lado a utilização dos meios legais disponíveis, se tal for necessário, para ajustar a sua atividade às tendências de mercado”.

Na sexta-feira, a Cofina divulgou que o seu lucro caiu 14,4% em 2016, face ao ano anterior, para 4,3 milhões de euros, e que as receitas operacionais recuaram 0,7% para 99,9 milhões de euros.

Na altura, o grupo liderado por Paulo Fernandes adiantou que iria “aprofundar a sua política de reforço da eficiência operativa como forma de fazer frente ao ambiente de mercado extremamente adverso”, salientando que “serão aprofundadas medidas de corte de custos nas áreas mais expostas ao ciclo e, em simultâneo, serão reforçadas as áreas de crescimento, como sejam a televisão e o ‘online’”.

Numa informação interna, a que a Lusa teve acesso, é referido que a quebra de receitas de publicidade continua e acentuou-se no início deste ano, sobretudo no mês passado, pelo que a Cofina decidiu avançar para um programa de corte de 10% de custos.

Entretanto, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) afirmou-se hoje “profundamente preocupado com as informações que lhe têm chegado através dos trabalhadores da Cofina, que, em parte”, foram confirmadas pela administração do grupo, com a qual voltou a reunir-se recentemente.

De acordo com o SJ, “vários jornalistas do grupo têm sido chamados e confrontados com propostas de rescisão de contrato, nos últimos dias”.

Numa reunião, realizada entre o sindicato e a administração da Cofina, “esta reconheceu que o grupo poderá avançar para o despedimento de dezenas de dezenas de trabalhadores”, sendo que os administradores Luís Santana e Alda Delgado “classificaram os resultados dos dois primeiros meses como ‘dantescos’, dadas as quebras nas vendas das várias publicações do grupo e também nas receitas de publicidade”.

O SJ adiantou que “vários jornalistas do grupo Cofina aludiram igualmente a indicações de que a empresa poderá estar à venda, após os resultados de 2016, que, ainda que tenham sofrido uma quebra, representaram um lucro superior a quatro milhões de euros”.

Sobre este tema, o sindicato afirmou que o cenário de venda não foi referido no encontro com a administração.

“O SJ entende que houve uma inversão no discurso da administração da Cofina em relação à reunião anterior, realizada no dia 30 de novembro de 2016. Se, por essa altura, estava afastado qualquer cenário de despedimento coletivo e se falava apenas na necessidade de ‘rescisões pontuais com alguns trabalhadores menos adaptados’, na segunda reunião, a administração admitiu recorrer a ‘todas as armas legais’, num ‘exercício transversal a todos os departamentos’ da empresa, para ‘emagrecer a estrutura’, sublinhando que as receitas atuais não aguentam ‘a folha salarial’ corrente’”, acrescentou.

O sindicato termina o comunicado a manifestar aos trabalhadores da Cofina, recordando que “está ao dispor dos seus associados para todo e qualquer apoio que se torne necessário durante este processo”.