Mais conhecido por “homem na Lua” ou “Bill Gates sul-africano”, Mark Shuttleworth é a razão da mudança de paradigma da ilha do Príncipe, um pequeno território onde estão a ser feitos investimentos de quase 90 milhões de euros.

Dono da Here Be Dragons (HBD), que coordena os investimentos turísticos e ambientais da ilha, o empresário sul-africano é o principal promotor do sistema operativo gratuito Ubuntu e proprietário de dezenas de ‘start-ups’ digitais.

Em entrevista à Lusa, o administrador da HBD no Príncipe, o general britânico Buster Howes, reconhece que este território autónomo de São Tomé e Príncipe é “uma paixão transformadora” de Mark Shuttleworth, que quer implementar um verdadeiro desenvolvimento sustentável na ilha, respeitando as tradições e a natureza quase imaculada, com florestas virgens à beira de praias de areia branca.

O “Mark é muito exigente e interroga-me a mim e a toda a gente sobre tudo o que é feito: quer saber a justificação do corte de uma árvore, por exemplo”, diz Buster Howes.

O empresário sul-africano é também conhecido por ter sido o primeiro africano no espaço depois de ter gastado 20 milhões de euros em 2002 num lugar na nave Soyuz e numa estadia de nove dias na Estação Espacial Internacional, tornando-se num dos primeiros turistas espaciais da história.

“O homem da Lua”, como é conhecido nas ruas do Príncipe, é agora responsável por um sonho de sustentabilidade para uma das ilhas mais pobres do mundo mas ao mesmo tempo das mais ricas no que toca a biodiversidade ambiental.

Por isso, a fundação de que faz parte a HBD candidatou a ilha, com sucesso, a reserva da Biosfera da UNESCO (o organismo para a educação e cultura das Nações Unidas), um sinal de que o empenho no desenvolvimento económico da ilha deve ir de mãos dadas com preservação do ambiente.

“Abraçámos o projeto Biosfera porque é algo acima de nós, é algo da ONU, e é uma forma de mostrarmos a toda a gente, em particular à população, que estamos muito felizes por estarmos subordinados a uma grande autoridade”, explicou Buster Howes.

Neste projeto, “a ONU irá dar as ordens e nós iremos executar”, disse o administrador, que deu o exemplo do projeto de um viveiro de árvores que está em preparação, com “100 mil árvores para reabilitar a floresta” autóctone, degradada ao longo dos anos pela plantação intensiva de cacau e óleo de palma.

Na ilha existem cerca de 20 espécies vegetais autóctones, um exemplo da biodiversidade do Príncipe mas também do país.

São Tomé e Príncipe “tem 10% da terra firme das Galápagos”, um arquipélago que tinha menos aves indígenas.

“Se Darwin tivesse vindo aqui em vez das Galápagos teria visto uma maravilha ecológica”, considerou o administrador da HBD.