O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, prometeu hoje que não permitirá o topónimo “Yasser Arafat” numa artéria de uma pequena cidade árabe no Estado de Israel, e promoverá legislação nesse sentido, se necessário.

Jatt, uma pequena cidade árabe israelita, inaugurou recentemente a rua Yasser Arafat em homenagem ao ex-Presidente palestiniano, visto como um herói pelos palestinianos e muitos árabes israelitas.

Os árabes israelitas são descendentes de palestinianos que permaneceram após a criação do Estado de Israel em 1948, e representam cerca de 17,5% dos oito milhões de habitantes do país, segundo a agência noticiosa AFP.

Jatt, no norte de Israel, tem uma população de cerca de 11.000 habitantes.

Hoje, no início de uma reunião do Governo, Netanyahu disse que “nenhuma rua no Estado de Israel terá tal nome, após os assassinatos de israelitas e judeus”.

“Não podemos permitir que as ruas do Estado de Israel recebam o nome de Yasser Arafat ou Haj Amin al-Husseini e outros”, disse.

“Vamos fazer as alterações precisas, incluindo nova legislação, se necessário, para que isso não aconteça aqui”, disse o chefe do Governo.

Husseini é um nacionalista palestino, o grande mufti de Jerusalém nas décadas de 1920 e 1930, e tinha fortes opiniões antijudaicas, tendo chegado a reunir-se com Adolfo Hitler.

O presidente da Câmara de Jatt, Mohammed Taher Wattab, defendeu o topónimo numa entrevista à emissora de rádio do Exército israelita.

“Yasser Arafat [1929-2004] assinou um acordo de paz com Israel e é uma vergonha que o primeiro-ministro encontre a necessidade de desperdiçar o seu tempo no nome de uma rua numa cidade tão pequena como a nossa”, disse o autarca.

“Vamos agir de acordo com a lei, conforme o conselho jurídico que recebemos”, acrescentou.

Yasser Arafat tornou-se o líder do movimento palestiniano após a criação do Estado de Israel, tendo liderado uma luta armada contra Telavive, na qual milhares de pessoas morreram.

Décadas mais tarde, o líder palestiniano rejeitou a violência e apertou as mãos do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin no relvado da Casa Branca, embora a paz que os acordos de Oslo deviam trazer nunca se tenha materializado.