O Presidente norte-americano sofreu esta sexta-feira uma importante derrota pessoal no Congresso, onde a maioria republicana foi forçada a retirar um texto que visava anular a designada ‘Obamacare’, na que foi uma sua grande promessa eleitoral.
Mais de dois meses depois de aceder à presidência, Trump viu assim fracassar um segundo projeto relevante no início do seu mandato, depois da suspensão pela Justiça das suas ordens executivas sobre imigração, que fechavam as fronteiras a refugiados e provenientes de vários Estados com população de maioria muçulmana.
“Estivemos muito perto” de aprovar a substituição da legislação sobre acesso a cuidados de saúde aprovada durante a Presidência de Barack Obama, a Obamacare, reagiu Trump, em declarações na Casa Branca, confessando-se “dececionado” e “um pouco surpreendido”.
A maioria republicana na Câmara dos Representantes não conseguiu fazer aprovar o projeto de lei que iria substituir o Obamacare, aprovado em 2010, e que o dirigente republicano previu que iria “explodir”.
A votação, que chegou a estar prevista para quinta-feira e foi depois adiada para sexta-feira, acabou por ser anulada.
“Uma deceção”, declarou Paul Ryan, derrotado, durante uma conferência de imprensa.
“Estivemos muito perto, mas não conseguimos consenso. Razão pela qual considerei mais sábio não votar e retirar o texto, para refletir na próxima etapa. Foi uma derrota, claramente”, declarou Ryan, confirmando uma evidência: “O ‘Obamacare’ é a lei e continuará a ser lei enquanto não for substituída”.
Um ultimato de Trump, feito na quinta-feira, não permitiu mudar a intenção dos republicanos recalcitrantes, tanto moderados como ultraconservadores.
Em 237 republicanos, cerca de uma trintena declararam-se contra a proposta, somando-se aos 193 deputados democratas.
O sucessor de Obama jogou a sua reputação e credibilidade nesta grande reforma, ele que se vangloria de ser um negociador impar e que falou diretamente a nada menos de 120 eleitos nos últimos dias para promover o seu plano.
Mas os críticos dizem que Trump subestimou o impacto real da reforma no sistema de saúde, que mistura seguros públicos e privados.
O texto teria reduzido as ajudas públicas às pessoas que não têm seguro saúde devido aos seus empregadores e que têm de financiar a sua própria cobertura.
Cerca de 14 milhões de pessoas teria de sair do Obamacare, segundo as estimativas. Os custos individuais teriam aumentado, e os serviços essenciais instaurados pelo ‘Obamacare’, como as urgências e os cuidados na gravidez, deixariam de ser cobertos obrigatoriamente. Vários republicanos moderados manifestaram a sua oposição.
No outro lado do espetro do partido, os ultraconservadores do ‘Freedom Caucus’ consideraram que o plano republicano era apenas uma versão adocicada do Obamacare, conservava demasiada regulamentação onerosa e não teria permitido baixar os custos.
A aposta de Trump era que os republicanos não ousariam fazer fracassar a primeira grande lei do mandato e enfrentá-lo. Mas os eleitos consideraram que o custo político de apoiar a lei era superior ao de desafiar o presidente.
