Organizações afetas ao regime venezuelano estão a intimidar os industriais da panificação de Caracas, ameaçando-os, designadamente, da expropriação das suas padarias, denunciou hoje a organização não-governamental Frente de Defesa do Norte de Caracas (FRNC).
“Os ‘coletivos” (grupos de motociclistas armados afetos ao regime) chegam às padarias, falam com os proprietários e dizem-lhes: Somos militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela, sou de tal coletivo e quero pão para o povo. Se não me dás vou fazer que te expropriem a padaria. O padeiro assusta-se e o dono do local cede”, denunciou o coordenador da FRNC, Carlos Júlio Rojas.
A denúncia, segundo disse Rojas à imprensa, foi feita hoje conjuntamente pela ONG e um grupo de cidadãos do município Libertador (o maior de Caracas), perante a Superintendência Nacional para a Defesa dos Direitos Socioeconómicos (Sundde), a quem entregaram um documento.
A situação ocorre desde há três meses e os representantes da ONG e do grupo de cidadãos apelaram à Sundde para que visite as padarias nas urbanizações de Capitólio, Bellas Artes e Sabana Grande, em Caracas.
No documento entregue na Sundde, acusam os simpatizantes do Governo venezuelano de exigirem entre 20 e 30% da produção do pão, argumentado que vão distribuir pelas comunidades vizinhas, mas alegam que o pão é depois revendido em Capitólio, Bellas Artes e Sabana Grande.
Por outro lado, Fiorenzo Lannarella, porta-voz do Movimento para a Defesa do Património Familiar (Modepaf), denunciou à imprensa que começam a aparecer os primeiros sinais de “xenofobia contra as comunidades portuguesa, espanhola e italiana, que emigraram à Venezuela e criaram negócios”.
Diversas fontes dão conta de que quatro padarias, pelo menos duas delas de portugueses, foram ocupadas nas últimas duas semanas pelas autoridades venezuelanas, entre elas a Mansión’s Bakery.
Esse estabelecimento foi alvo, no dia 15 de março, de uma fiscalização das autoridades, que encerraram o estabelecimento e o entregaram a grupos de cidadãos dos Comités Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), que entretanto mudaram o nome da padaria para “Minka”.
A Superintendência de Preços Justos acusou os proprietários de não cumprirem a nova normativa que obriga as padarias a ter, permanentemente, desde a abertura até ao encerramento, pão disponível para os clientes. Também de venderem o pão a preços mais altos que os permitidos e de manter o estabelecimento em condições de insalubridade.
