O governo britânico anunciou ontem que vai proibir os computadores portáteis e outros dispositivos eletrónicos na bagagem de cabina dos voos diretos para o Reino Unido a partir da Turquia, Líbano, Jordânia, Egito, Tunísia e Arábia Saudita.

O bloqueio britânico a este tipo de dispositivos - que inclui ‘tablets’ e leitores de DVD - acontece no mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram uma medida semelhante, mas aplicada a oito países de origem.

Um porta-voz do executivo conservador do Reino Unido disse que a medida foi adotada na sequência de preocupações quanto à segurança aérea e que é “necessária, eficaz e proporcional”.

A proibição aplica-se a todos os aparelhos eletrónicos com dimensões acima de: 16 centímetros de comprimento, 9,3 centímetros de largura e 1,5 centímetros de espessura. Inclui ‘smartphones’, mas a maioria deles fica aquém destas medidas.

Todos os dispositivos incluídos no bloqueio terão de ser metidos na bagagem de porão antes de os passageiros passarem pela segurança do aeroporto.

A medida anunciada por Downing Street afeta seis companhias aéreas britânicas (British Airways, EasyJet, Jet2.com, Monarch, Thomas Cook e Thomson) e oito estrangeiras (Turkish Airlines, Pegasus Airways, Atlas-Global Airlines, Middle East Airlines, Egyptair, Royal Jordanian, Tunis Air e Saudia).

O secretário dos Transportes britânico, Chris Grayling, admitiu que a medida poderia causar “frustração” entre os passageiros. “Estamos a trabalhar com a indústria da aviação para minimizar o impacto”, disse.

Num anúncio semelhante, o governo norte-americano referiu “ameaças”, sem especificar. No entanto, no seu anúncio o governo britânico recusou dizer se a medida foi adotada na sequência de relatórios de espionagem sobre ameaças concretas.

“Cada um tomou a sua própria decisão”, referiu Downing Street ao ser questionado sobre as diferenças entre o bloqueio norte-americano e o britânico.

O bloqueio aplicado pelos Estados Unidos abrange os voos de nove companhias aéreas, a partir de 10 aeroportos em oito países.

Há mais de dois anos que o nível oficial de ameaça terrorista no Reino Unido indica que um ataque “é altamente provável”.

Os Estados Unidos deram 96 horas às companhias aéreas (a começar às 07:00 GMT de hoje) para porem em prática o novo procedimento. O bloqueio não tem data para terminar.

A medida irá afetar passageiros de cerca de 50 voos por dia a partir de alguns dos mais movimentados aeroportos do Médio Oriente, Turquia e norte de África.

O bloqueio dos Estados Unidos aplica-se aos seguintes aeroportos: Mohammed V International, em Casablanca (Marrocos); Aeroporto Ataturk, em Istambul (Turquia); Aeroporto Internacional do Cairo (Egipto); Queen Alia International, em Amã (Jordânia); King Abdulaziz International, em Jeddah, e King Khalid International, em Riade (Arábia Saudita); Aeroporto Internacional do Kuwait; Hamad International, em Doha (Qatar); Abu Dhabi International e Dubai International (Emirados Árabes Unidos).

No ano passado, um comando terrorista tentou fazer despenhar um jato comercial na Somália - alegadamente através do uso de um computador portátil.