O enviado especial da ONU disse hoje que os ataques suicidas contra os serviços de informação militares sírios em Homs, a terceira maior cidade da Síria, visam inviabilizar as negociações de paz que estão a decorrer em Genebra (Suíça).
“Sempre que temos negociações, há sempre alguém a tentar inviabilizar o processo. Estávamos à espera disto”, disse Staffan de Mistura, quando questionado pelos jornalistas sobre os ataques reivindicados por um ex-núcleo da Al-Qaida na Síria, a organização Jabhat Fateh al-Sham (anteriormente designada como Frente Al-Nosra), que mataram hoje 42 pessoas em Homs (segundo dados do Observatório sírio dos Direitos Humanos).
O governador da província de Homs, Talal Barazi, disse, por sua vez, que os ataques mataram 30 pessoas e fizeram 24 feridos.
À pergunta se estes ataques vão afetar as negociações patrocinadas pela ONU, o veterano diplomata italo-sueco disse: “Espero que não, mas foi trágico”.
Os ataques suicidas perpetrados hoje em Homs (oeste da Síria) tiveram como alvo duas bases dos serviços de informação sírios e mataram, entre outros elementos, o chefe dos serviços de inteligência militar, o general Hassan Daabul, um elemento próximo do Presidente sírio, Bashar al-Assad.
As negociações de paz para a Síria começaram na quinta-feira, em Genebra, sob a égide das Nações Unidas, e com a presença de delegações do regime de Damasco e da oposição síria.
A partir de Genebra, o regime de Damasco prometeu “represálias” pelos ataques perpetrados em Homs, afirmando que tais ações constituem uma “mensagem clara” dos terroristas.
“Os ataques terroristas que visaram Homs constituem uma mensagem clara para Genebra. A mensagem foi recebida e não vamos deixar passar (este crime) sem represálias”, disse aos jornalistas Bashar al-Jaafari, o chefe da delegação do regime sírio presente na cidade suíça.
A guerra na Síria, prestes a completar seis anos, já fez mais de 310.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.
