A Orquestra Geração (OG), criada em 2007, visa a integração social de jovens através da música, promove a integração familiar, na comunidade, e reflete-se positivamente nos resultados escolares, conclui um estudo publicado esta semana.
Perspetivando o futuro, o estudo afirma que a “OG ganharia outra dimensão se criasse um autêntico ‘efeito território’”, devia “superar a excessiva centralização de decisões e procedimentos, bem como a restrição do envolvimento a professores, alunos e famílias”, e sugere um “trabalho descentralizado e não hierarquizado em redes e parcerias multi-institucionais”.
O estudo, de autoria de Graça Mota e João Teixeira Lopes, intitula-se “Crescer a tocar na Orquestra Geração”, e foi elaborado no âmbito do Centro de Investigação em Psicologia da Música e Educação Musical, que atualmente faz parte do Instituto de Etnomusicologia -- Centro de Estudos em Música e Dança, um polo do Instituto Politécnico do Porto.
A orquestra é um “agente de socialização, mecanismo de inclusão e mobilidade social [e uma] comunidade de prática territorialmente enraizada”, sublinha o estudo, realçando que as notas do currículo musical “têm um efeito positivo na média final” escolar dos jovens músicos.
Apesar de haver “indícios fortes” da influência positiva da OJ, pelas mudanças “significativas” de atitude e comportamento, nos resultados escolares, advertem que extrapolações para uma ligação direta com o sucesso académico, não lhes parece lícito.
A OJ é um projeto inspirado no Sistema de Orquestras Infantis e Juvenis da Venezuela, internacionalmente referido como “El Sistema”, do qual o maestro Gustavo Dudamel é o nome mais conhecido.
Esta referência a “El Sistema” está aliás, como realçam os investigadores, frequentemente presente nos discursos dos fundadores da OG.
No âmbito das conclusões, o estudo, publicado pela editora Verso da História, verifica “uma melhoria da integração familiar dos participantes, como consequência do envolvimento das famílias”, e notou também uma maior disposição do contexto doméstico na “rotina de adesão ao esforço da escola”.
Esta mobilização familiar e escolar contribui “quer para o evitamento de situações objetivas e subjetivas de exclusão e desclassificação social, quer mesmo para percursos marcados pela propensão à distinção face aos contextos de pertença (bairro, grupos de pares), estigmatizados, favorecendo a emergência ou a consolidação de projetos de mobilidade social”.
“Pertencer à OG prestigia e confere visibilidade” aos seus participantes, que, contudo, não alteram as suas práticas culturais e musicais, continuando “marcados pelo universo das suas culturas iniciais, com culto dos ícones do momento, com um sobreinvestimento na comunicação mediada por computador e uma ampla utilização das redes sociais”, induzindo a “um ‘centramento’ em práticas doméstico-recetivas”.
Segundo os investigadores, nota-se também, uma “intensificação” do consumo de música, “muito distante” dos consumos habituais e do seu contexto social.
Outra das conclusões é que a OG desenvolve nos seus participantes “um forte sentimento de pertença e espírito de grupo”, o que é um indicador “de integração social”.
