O Governo venezuelano disse hoje que não chegará a nenhum acordo com a oposição, nem convocará eleições no país, enquanto o país estiver submetido a sanções internacionais.
Segundo a imprensa venezuelana, o anúncio foi feito pelo ministro da Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez, que insistiu ainda que seja criada “uma comissão da verdade” sobre a situação no país.
“A Venezuela não terá eleições, nem assinará nenhum acordo com a oposição enquanto não forem anuladas as grosseiras sanções que os líderes da direita venezuelana solicitaram ao Departamento do Tesouro, de Donald Trump e às autoridades espanholas, canadianas e outras”, disse.
Entretanto, o líder do partido Primeiro Justiça, da oposição, Júlio Borges, que preside ao parlamento - onde a oposição é maioritária -, recusou hoje um convite feito pelo Presidente Nicolás Maduro para uma reunião no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.
“O nosso interesse não é aceitar convites, mas conseguir um acordo em que se desenhe uma rota de futuro para a Venezuela, que inclua comida, medicamentos e voto livre”, escreveu na conta na rede social Twitter.
Júlio Borges acusa o regime de “resistir à ajuda humanitária” e de “falar na televisão” enquanto “há venezuelanos a morrer por desnutrição e falta de medicamentos”.
“Convide para Miraflores as famílias venezuelanas que têm fome e escassez de medicamentos que o seu modelo gerou. Nós iremos (a Miraflores) quando recuperarmos a democracia, nas presidenciais de 2018”, frisou.
Representantes do Governo venezuelano e da aliança da oposição Mesa de Unidade Democrática (MUD) reuniram-se no último fim de semana em Santo Domingo, na República Dominicana, para iniciar o processo de retoma do diálogo.
O encontro, de dois dias, realizou-se após várias tentativas falhadas de diálogo entre as duas partes.
O Governo espera chegar a um acordo para avançar com novas emissões de títulos de dívida e outras formas de financiamento.
As negociações vão decorrer num momento em que o Governo venezuelano é abalado por um escândalo de corrupção na empresa petrolífera estatal e o país atravessa uma crise política e económica, que tem motivado apelos para a abertura de canais humanitários para alimentos e medicamentos, o que o regime não aceita.
Os trabalhos estão a ser liderados pelo Presidente da República Dominicana, Danilo Medina, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros dominicano, Miguel Vargas, e pelo ex-chefe do Governo espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero.
A reunião tem como observadores os ministros dos Negócios Estrangeiros do Chile, México, Paraguai, Bolívia, Nicarágua, San Vicente e Granadinas, os últimos três a pedido do Governo venezuelano.
