O Ministério Público venezuelano anunciou hoje que deteve mais um alto responsável no âmbito da operação contra alegada corrupção na empresa estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA), desta vez a ex-diretora do Escritório de Investigação de Mercado e Política Petrolífera.
“Estamos a falar de 69 funcionários detidos pela trama de corrupção na PDVSA e (incluindo) 18 altos gerentes. Além disso há 18 mandados de detenção”, disse o procurador designado pela Assembleia Constituinte.
Tarek William Saab falava em Caracas, durante uma conferência de imprensa em que fez o balanço do combate à corrupção e explicou que entre os 18 cidadãos que são procurados pelas autoridades existem três diretores daquela filial.
“Geraram (no Escritório de Investigação de Mercado e Política Petrolífera - EIMP) um dano patrimonial à nação de 4.800 milhões de dólares (4.033 milhões de euros)”, frisou.
Outra das pessoas detidas é ex-diretora-geral do Escritório para a Determinação de Crude de Exportação, sob acusações que incluem a malversação de fundos públicos e branqueamento de capitais.
Segundo o Ministério Público foram feitas modificações aos preços de produtos petrolíferos, o que ocasionou que “a PDVSA perdesse receitas e as empresas estrangeiras obtivessem benefícios”, fazendo “supor” que havia “pagamento de comissão por essas descidas de preços”.
Há contratos de serviços prestados à PDVSA, na Faixa Petrolífera do Orinoco (FPO), com preço inflacionado, pelos quais foram detidos cinco gerentes da empresa mista (capitais públicos e privados) Petropiar, e também um ex-diretor executivo daquela da FPO.
Por sabotagem à produção em Petrozamora, filial de Pdvsa, foram detidos (há algumas semanas) outros 17 funcionários, entre eles o ex-ministro de Energia e Petróleo, Eulógio del Pino, e o ex-presidente da Corporação Venezuelana de Petróleo (CVP), Orlando Chacín, além de outros membros da direção do setor de Ocidente da CVP.
Seis funcionários foram acusados do desmantelamento e uso de número de série de 1.300 viaturas que foram afastados da filial Pdvsa Monagas.
Outros 10 foram acusados de alterar a contabilidade na PDVSA Oriente, e três de facilitar o sobre faturamento na aquisição de materiais e equipamentos para a exploração e produção de gás natural na filial Barinven.
Entre os acusados por alegada corrupção estão ainda seis membros da direção de Citgo (petrolífera venezuelana nos EUA), pela assinatura de contratos não autorizados, de refinanciamento.
Há ainda um detido e mandados de detenção contra funcionários do escritório da PDVSA na cidade de Viena.
Alguns dos detidos estiveram em funções quando o ex-embaixador da Venezuela na ONU, Rafael Ramírez, presidiu à PDVSA (2004 - 2014).
