Escrevo esta carta para lembrar que importa não esquecer. Os recentes desenvolvimentos relativos à nomeação ocorrida em Machico são exemplificativos de uma realidade que não podemos ignorar.
O resultado é o mesmo de sempre. Existe a discussão, comentários, críticas, protesto, mas os envolvidos permanecem; o tempo passa e o esquecimento é progressivo. No entanto, permanecem.
Não isolando o caso, este espelha algumas das injustiças que são práticadas por alguns dos que ocupam cargos de decisão para os quais foram elegidos pela comunidade, independentemente da cor. Se não serve o interesse comum, então não deve ser decidido.
De destacar a falta de noção de visão/consciência global.
Se o objectivo é por à prova até onde pode chegar a força emocional das pessoas para se levantar de manhã com motivação para encarar mais
um dia de trabalho a ganhar um salário miserável, muito bem. Mas não subestimando, a questão de quem nasceu primeiro, se os trabalhadores, se o estado, não é como a do ovo ou da galinha. Aqui sabe-se bem quem nasceu primeiro e quem sustenta quem. Ou idealmente, deveria.
Importa então não esquecer. À data de hoje, vamos com aproximadamente 15 dias. Curiosos de ver quantos mais dias...
Politicamente o tempo é uma variável muito poderosa. As pessoas esquecem.
Se forem anos, temos de estar todos aqui todos esses anos para relembrar e não desistir de mostrar o quão injustiçados nos sentimos.
Cabe à sociedade agora criar a corrente para que cada dia conte. Se o relembrar não vier daqui, alguém que o faça, alguém que conte.
Mas não se desinvista, as pessoas precisam em toda a região (não só em Machico). Em vez de trabalhos redundantes ou menos que isso, invista-se em algo com valor acrescido ou pelo menos numa tentativa de valor acrescido.
Por favor não se esqueça deste caso (ou outros semelhantes), faça com cada dia conte e que o peso e a pressão de semelhantes decisões seja sentido. Fale nisto todos os dias, até que a justiça volte.
Duarte Teixeira