Três mulheres que acusaram em 2016 o actual Presidente norte-americano, Donald Trump, de assédio sexual lamentaram hoje o facto, ao contrário do que acontece em outros setores da vida pública, de não terem sido exigidas responsabilidades ao governante.

“Em outros sectores da sociedade, as pessoas são responsabilizadas por comportamentos inapropriados, mas não o Presidente”, declarou uma das três mulheres, Jessica Leeds, numa conferência de imprensa em Nova Iorque organizada pela Brave New Films, produtora que está a realizar uma longa-metragem sobre as mulheres que acusam Trump de comportamento sexual inapropriado.

As declarações de Jessica Leeds ocorrem num momento em que têm surgido diversas acusações de assédio sexual visando várias figuras do mundo da política e do entretenimento nos Estados Unidos.

Casos amplamente mediatizados que desencadearam o afastamento de actores, realizadores e de produtores, mas também a renúncia de políticos de primeira linha, como o senador democrata Al Franken ou o congressista, também do Partido Democrata, John Conyers.

Na mesma conferência de imprensa compareceram outras duas mulheres, Rachel Crooks e Temple Taggart, que também acusaram, durante a campanha para as eleições presidenciais de 2016, Donald Trump de assédio sexual.

Já numa entrevista num programa matinal da estação norte-americana NBC, as mulheres exigiram a abertura de um inquérito no Congresso norte-americano.

“Peço aos membros do Congresso que deixem de lado a sua filiação política e investiguem os comportamentos sexuais inapropriados do senhor Trump”, afirmou Rachel Crooks.

Rachel Crooks contou que em 2005 o magnata beijou-a na boca sem o seu consentimento. Na altura, Rachel, que tinha 22 anos, trabalhava como rececionista na Trump Tower.

Já Jessica Leeds, atualmente com 75 anos, acusou o empresário de lhe ter tocado em várias partes do corpo sem a sua permissão durante uma viagem de avião na década de 1970.

Temple Taggart, vencedora do concurso de misses do Estado norte-americano do Utah em 1997, também assegura que Trump teve comportamentos indevidos.

“O correto seria renunciar, mas não acho que o faça. Só podemos pedir ao Congresso que se encarregue disso”, reforçou Rachel Crooks.

Pelo menos 16 mulheres, segundo o título especializado em política The Hill, acusaram Donald Trump de assédio sexual durante a campanha eleitoral de 2016. O actual Presidente dos Estados Unidos sempre rejeitou as acusações e a Casa Branca alega que as mulheres estão a mentir.