Milhares de taxistas espanhóis vindos de todo o país manifestaram-se hoje de manhã no centro de Madrid contra a actividade dos veículos de aluguer com condutor, como os usados pela Uber ou Cabify.

Os taxistas iniciaram às 6 horas (5 horas de Lisboa) uma greve de 24 horas que está a afectar o sector, sendo impossível apanhar um táxi, excepto no transporte para hospitais, urgências e para pessoas com pouca mobilidade.

A manifestação tinha à cabeça 35 táxis, seguidos por vários milhares de taxistas a pé, atrás de um cartaz a dizer “Não à CNMC (Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência) e suas multinacionais. A favor do serviço público de táxi”.

Os manifestantes tinham bandeiras de todas as comunidades autónomas espanholas e foram enquadrados por um dispositivo policial importante.

A legislação espanhola prevê que por cada 30 licenças de táxi possa coexistir um veículo de aluguer com condutor, mas os taxistas asseguram que esta relação não está a ser cumprida.

Os taxistas pedem uma maior fiscalização da actividade dos concorrentes e criticam uma sentença recente do Tribunal Supremo espanhol que autorizou 80 novas licenças de veículos de transporte com condutor, receando que nos próximos meses possam circular mais 10.000 destes carros.

Por seu lado, as empresas Uber e Cabify já manifestaram a sua satisfação pela decisão do Supremo e defendem que esta favorece os cidadãos e o seu direito a escolher entre alternativas diferentes de mobilidade.

O Governo espanhol tem tentado acalmar os taxistas e já lhes prometeu a aprovação, provavelmente antes do fim do ano, de uma nova regulamentação para a actividade dos veículos de transporte com condutor que contrarie os casos de fraude e de especulação.