Que estranha noção de democracia praticam os partidos que suportam o governo socialista na República! O exercício orçamental da República para 2018 foi um caso flagrante. O PS e as suas muletas parlamentares do BE e do PCP não votam sobre o conteúdo de propostas de alteração ao orçamento. Votam somente sobre o proponente da proposta. Chegando ao ridículo de chumbarem propostas do PSD e do CDS com textos iguais aos seus, só para aprovarem as suas versões copy-paste. Bastou constatar que os subscritores são do PSD para chumbarem propostas que no caso das matérias relacionadas com a Madeira são de profundo consenso junto da população madeirense. Aliás, durante a votação na especialidade ouvi várias vezes da bancada PS, quando esta tinha dúvidas do que aparecia no seu guião de votações: “Ah, é o PSD? Então é contra”.
Participamos ativamente no processo orçamentar através da apresentação de um leque de propostas que foram liminarmente rejeitadas pelos partidos que suportam esta solução governativa socialista. Não se trata de matérias de ideologia política. Solidariedade, justiça e autonomia deveriam estar acima de guerrilhas partidárias.
Constatamos assim que o PS, BE e PCP:
- São contra o financiamento estatal do novo hospital da Madeira que é uma infraestrutura fundamental para a saúde pública da nossa população, contrariando variadas promessas socialistas;
- São contra a redução imediata da taxa de juro do empréstimo da República à Madeira, sendo que a proposta do PS aprovada é demasiado vaga e não conduz à redução imediata, mantendo assim um diferencial injusto entre o custo que a República comporta junto dos credores internacionais e aquele que a Madeira comporta junto da República;
- São contra a redução do IVA para a reconstrução habitacional pós-incêndios para o Instituto de Habitação da Madeira, à semelhança do que acontece com o instituto nacional (IHRU);
- São contra o apoio aos nossos conterrâneos que estão a regressar à nossa região, oriundos da Venezuela devido à situação difícil nesse país.
Torna-se evidente que para os partidos de poder em Lisboa, a Madeira é somente um território longínquo que serve para outdoors esporádicos e promessas ocas. E mais: é evidente o tacticismo eleitoralista do PS, protelando matérias essenciais sobre a Madeira para o ano eleitoral de 2019, preferindo “guardar fichas na manga” para se apresentar como heróis em 2019, esperando enganar o eleitorado com essa estratégia.
Os madeirenses – e a democracia parlamentar – merecem mais que este tratamento desigual e desrespeitador.