A deputada social-democrata na Assembleia da República, Rubina Berardo, acusou os deputados socialistas e bloquista eleitos pela Madeira de terem uma “estranha noção de democracia”, porque simplesmente optaram pela estratégia de chumbar toda e qualquer proposta vinda dos eleitos pelo PSD-Madeira, alinhando com a estratégia das estruturas nacionais, mesmo em matérias que defendiam e até iam de encontro às suas pretensões.
Durante a semana que terminou debateram-se e foram a votos as propostas na especialidade do Orçamento de Estado para 2018, incluindo as de alteração, e no entender da deputada do PSD constata-se “uma estranha noção de democracia dos partidos de poder na República”, uma vez que “chumbam liminarmente tudo o que vem subscrito por deputados do PSD e do CDS, independentemente do teor das propostas, chegando até a ser caricato que em propostas com semelhanças a textos desses partidos, sejam chumbadas para aprovar as deles”, lamenta.
Entre as propostas relativas à Madeira, chumbadas pelo PS, BE e PCP, Rubina Berardo exemplifica “temas que são consensuais junto da população madeirense e, diria até, supra-partidários”, nem sequer têm a ver com “factores ideológicos” e simplesmente são rejeitados. Assim, “votaram contra o financiamento do novo hospital, votaram contra a proposta das consignações tributárias, votaram contra a redução imediata da taxa de juro do empréstimo do PAEF-RAM (a ajuda dada pela República à Madeira, em 2012) e, ainda, votaram contra o apoio aos nossos conterrâneos que estão a regressar da Venezuela. Ou seja, do que foi aprovado pelo PS não há nenhuma redução imediata da taxa de juro, é só fogo-de-artifício e o Estado vai continuar a lucrar com o empréstimo que concedeu à Região, protela o compromisso de pagar metade do hospital, diz que vai ajudar os emigrantes mas nada faz, não respeita a autonomia no que toca à tributação fiscal”, entre outras.
Para a deputada, economista de formação, “torna-se evidente que para este Governo socialista apoiado pelo BE e PCP, a Madeira é um território longínquo, que só serve para colocar outdoors a dizer que conseguiram isto e aquilo e com promessas ocas”, aludindo inclusive o facto de isto configurar uma actuação com fins eleitoralistas. “O dogmatismo na votação que assistimos tem um fim também eleitoralista, serve esses propósitos. O que está a ser colocado, em primeira linha, é a sobrevivência política desta solução parlamentar para suportar o governo, mas no que toca à Madeira, também tem em vista tirar proveitos partidários, ao protelar questões que são fundamentais e de elementar justiça para o povo da Madeira”, frisa.
Em Lisboa, na Assembleia da República, a Madeira está representada pelos social-democratas Sara Madruga da Costa, Paulo Neves e Rubina Berardo, pelos socialistas Carlos Pereira e Luís Vilhena e pelo bloquista Paulino Ascenção.

