O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu hoje o acordo nuclear alcançado em 2015 entre as potências internacionais e o Irão, bem como manifestou confiança na manutenção do protocolo que tem sido fortemente contestado pelo Presidente norte-americano.

“Já dissemos por diversas vezes que encaramos [o acordo] como um sucesso muito importante do ponto de vista da paz e da segurança globais e que confiamos fortemente que o acordo será mantido”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, quando questionado pelos jornalistas sobre esta matéria.

Existem vários pontos de interrogação sobre o futuro do acordo por causa das duras críticas do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às autoridades de Teerão.

O chefe de Estado norte-americano, que durante a campanha para as presidenciais americanas chegou a ameaçar “rasgar” o acordo que classificou como “horrível”, tomará uma decisão sobre esta matéria nos próximos dias.

Na recente Assembleia-Geral da ONU, em setembro, Trump disse que já tinha tomado uma decisão, mas não quis dar mais pormenores.

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, disse hoje que a equipa de segurança nacional dará em breve “algumas opções” ao Presidente norte-americano.

Em março, Tillerson sugeriu uma eventual renegociação do acordo, uma hipótese que foi até à data rejeitada pelo Governo de Teerão e pelas outras potências internacionais signatárias do protocolo.

O acordo nuclear entre o Irão e o grupo de países 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU -- Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China -- e a Alemanha) foi alcançado em julho de 2015 em Viena, ainda sob a alçada da administração do Presidente Barack Obama (democrata).

O acordo foi assinado com o objectivo de garantir a natureza exclusivamente pacífica do programa nuclear iraniano.

Desde que entrou em vigor, a 16 janeiro de 2016, a administração americana certifica-se, a cada 90 dias, perante o Congresso, de que Teerão está a respeitar os termos acordados.

Rex Tillerson também afirmou hoje que o acordo nuclear “representa apenas uma pequena parte dos muitos assuntos relacionados com o Irão”.

“É uma parte importante, mas não é a única. Não podemos deixar que o assunto iraniano fique só definido ao acordo nuclear”, acrescentou.

Mais de 180 congressistas democratas enviaram hoje uma carta a Donald Trump a exortar o Presidente norte-americano a certificar o acordo nuclear com o Irão porque, caso contrário, poderá “colocar em perigo” o esforço da comunidade internacional para travar as ambições nucleares de Teerão.

Na terça-feira, o secretário da Defesa norte-americano, James Mattis, considerou que seria do interesse dos Estados Unidos permanecer no pacto multilateral, nomeadamente por motivos de segurança.