A Associação de Jovens Empresários da Madeira (AJEM) através do Clube do Empreendedor promove este ano a segunda edição do ‘Shark Tank Madeira’, um encontro entre investidores e empreendedores com vista à promoção do negócio. No ano passado o encontro foi aberto ao público e à comunicação social. Este ano é privado e decorre na sexta-feira, paralelamente à Cidade do Empreendedor, que inaugura na quinta-feira pelas 18 horas e decorre até domingo às 22 horas no Madeira Tecnopólo. A ‘Cidade’ abre-se este ano a 120 empresas.

O objectivo é facilitar o negócio entre quem se lança com novos produtos e ideias no mercado e quem tem a capacidade de financiar e ou abrir portas. Com a feira fechada, este encontro, inspirado no programa televisivo ‘Shark Thank’ vai contar com empresários, investidores de Canárias, da Madeira e a nível nacional que vão presenciar a apresentação de seis projectos previamente seleccionados pela AJEM em parceria com a Startup Madeira. “Uma das lógicas é essa, há muitos que porventura precisam de dinheiro, mas há outros que precisam de contactos, de abertura de mercados”, referiu Nuno Agostinho, presidente da AJEM.

No ano passado foi aberto ao público em geral, não funcionou muito bem, os investidores e os empreendedores não ficam tão à-vontade. Há também a questão de que alguns são projectos embrionários, têm medo de apresentar as ideias e perdê-la para outros.

A AJEM vai também cá ter um business angel, o presidente da Federação de Business Angels a nível nacional, com o qual os jovens empresários da Madeira vão fazer uma parceria. Os business angels começam a surgir agora na Madeira, eles não têm associados e a AJEM vai fazer essa ponte. Hoje em dia mais importante por vezes do que ter dinheiro para investir, é ter uma rede de suporte, ter alguém especificamente na área que canalize os projectos para essa rede, explicou o empresário. “A principal função da AJEM é ser um facilitador (...). Servimos para facilitar, pôr em contactos, pôr a gente a falar, aproximar os centros de investigação dos empresários”. Entre este ano e o próximo terá início um périplo à volta dos concelhos, com workshops, intitulado ‘1,2,3 Empreender Madeira’.

Já quinta-feira começa a quarta edição da Cidade do Empreendedor, terá 108 a 110 stands que nestes dias vão servir de casa para novas empresas e outras já com mais tempo de mercado, assim como com entidades que servem de suporte ao tecido económico e ao empreendedorismo na Madeira.

O comércio e os serviços estão mais representados, a agricultura e o ambiente vêm crescendo e estarão representados em oito stands, assim como as novas tecnologias e o turismo, aqui a pensar no residente. Quatro entidades sem fins lucrativos, as artes e a cultura marcam igualmente presença nesta mostra promovida pela AJEM através de fundos comunitários.

A participação é gratuita, tanto para o público como para as empresas e empreendedores ali representados, tendo obrigado a uma selecção por parte da organização de fora ficaram mais de duas dezenas de empresas. O objectivo foi primeiro dar a conhecer novas marcas.

De fora vai estar presente uma delegação da Associação de Jovens Empresários de Canárias com uma dezena de pessoas e uma de Cabo Verde, a que se juntam alguns convidados a nível nacional.

A cidade está dividida entre as entidades que a AJEM considera contribuem para o “ecossistema do empreendedorismo” e foram convidadas, como a Banca, o Instituto de Desenvolvimento Empresarial, o Instituto de Emprego da Madeira, e as associações empresarias que contribuem para fomentar o empreendedorismo, e as empresas que se candidataram e foram seleccionadas para estar presentes nesta mostra. Mais de metade destas últimas estão pela primeira vez.

As artes e cultura vão passar pelo Tecnopólo, com os vimes e actuações de artistas, vão actuar nas duas grandes praças. Na Praça AJEM poderá aceder a workshops e conferências muito práticos, além de apresentações de empresas ali representadas. Na Praça da Cultura e da Arte, onde está a restauração, a partir das 20 horas há animação. Na sexta com DJ, no sábado com moda e no domingo com a actuação das bandas Nulo e Dona Zica.

A cidade vai funcionar das 15h às 22 horas, na sexta-feira com um dia vocacionado para as escolas. Estão confirmados mais de 600 alunos de vários pontos da Região que vão aprender um pouco mais sobre empresas.

A edição de 2017 está garantida, com cerca de 100 mil euros, assim como a 2018. Em 2019 a realização vai depender da aprovação de novo financiamento. Nuno Agostinho acredita que a cidade já atingiu um estatuto que é reconhecido por todos.

As empresas, defende o presidente da AJEM, mais do que se virarem para o público que visitará o espaço ao longo dos três dias deve aproveitar a oportunidade para estabelecer ‘network’ sobretudo com quem está cá dentro. “Colocar em contacto uns com os outros é um dos papéis fundamentais desta organização, com empresas, empreendedores e instituições de cá, de fora, como de Canárias, que é um mercado que a AJEM acredita ter muito potencial e ser um bom passo para se lançar na internacionalização”, destacou.

O empreendedorismo e a internacionalização são as duas grandes bandeiras assumidas pela AJEM. A Cidade do Empreendedorismo conjuga-as, a par de trabalhá-las em outros projectos.

A Cidade do Empreendedor, que no ano passado contou com cerca de 14 mil visitantes e que além de um espaço de promoção é um espaço de venda ao público para empresas que têm no grande público o seu consumidor final, é um facilitador não é um garante do sucesso dos projectos. “É importante a nossa acção mas não é determinante. O facto de haver renovação em si quer dizer que o mercado está bem e que está a criar novas empresas. O facto de passarem de um ano como empreendedores para o outro como empresários e eventualmente perdurarem no tempo significa que o mercado corresponde”. Há umas que fecham, há outras que se reinventam, com outros produtos. É o mercado quem dita as leis.

A Cidade do Empreendedor é “uma amostra muito real do que são o empreendedorismo e as novas empresas a aparecer”, disse Nuno Agostinho. “Eu gosto e quero que ela seja representativa daquilo que está a nascer, daquilo que está a perdurar, de algumas entidades que fazem parte do ecossistema do empreendedorismo.”

Um dos objectivo da AJEM é no futuro apostar na área da investigação, ligar os centros de investigação com as empresas ou com os empreendedores, uma área que necessita ser aprofundada.

Menos burocracias e nins