E hoje? Novamente hoje sem fazer nada a mais ou demais passo pelos mesmos locais até menos apressado e deparo-me com o meu olhar trocado, a procura daquelas palavras que já me ia habituando e que sempre passaram por mim como menino de campo, de receber aquele bom dia em cada recanto, carregado de um sorriso e de uma boa energia, possuída pela genuína alegria de quem se encontra e encontra companhia! Recordo esse tempo passado, recordo esse tempo presente, da fidelidade daquela gente desinteresseira e sem maldade, com que me davam bom dia cheios de vontade e me cumprimentavam sem intenção, apenas com aquele carinho genuíno de coração, de quem conhece e é conhecido, de quem perdeu e se dará por perdido ou de quem vence sem ter aspirações ou outro sentido! Sim, hoje neste mesmo local de pé ou sentado, paro e olho o bocado que vivi e agora já não consigo encontrar, pois uns por aqui estão e outros continuam a passar, com um ar foragido e sem semblante, de quem não para, não olha e nem para aquele instante, para dar um bom dia, ou fazer aquela publicidade “serei eu que vou mudar esta sociedade”! Mas quem muda, quem mudará ou está mudado? Aqui me deparo neste bocado e caiu num triste e enfadonho pensamento de que foram muitas palavras de momento, de afirmações que pareciam de amigos conhecidos há anos, mas foram apenas enganos de quem tudo dá mas nada pode dar, apenas palavras e gesto de lugar, sem futuro e sem margem de manobra, que agora nem a tinta que sobra pode escrever todo este pensamento!
Mas hoje, falta me aquele bom dia, aquele panfleto em que via aquela cara de alegria, aquele boné que me amparava do sol poente, aquele doce que me adoçava a boca e me deixava contente, aquele chaveiro que segurava todas as portas que eu preciso para me abrigar... mas hoje neste mesmo lugar, todos passam sem me ver, sem me sorrir, sem me encontrar...
Será vergonha, ou medo, será alegria ou consolação desmedida, será tristeza ou derrota inesperada?!
Bem ...Talvez .... não sei se outra vez... mas daqui a mais uns tempos a minha insensatez voltará a encontrar outro lugar onde este gesto se irá reavivar, quando outros vierem a me confrontar e no seu apelo constante e por vezes até desgastante me fizerem neles novamente acreditar!
E hoje, talvez, não sei que faria, não sei se atrás voltaria, não sei para que votaria, e penso no que me levou a votar!
P. S.