A bióloga Helena Freitas afirmou hoje que as medidas de prevenção e combate aos incêndios florestais, anunciadas no sábado pelo Governo, são positivas, mas é preciso olhar para o território para as implementar.
Em declarações à agência Lusa, a propósito do pacote de medidas aprovado em Conselho de Ministros, a antiga coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior disse ter ficado globalmente satisfeita com o plano estratégico apresentado, nomeadamente com a decisão de indemnizar as vítimas dos recentes fogos.
No entanto, a bióloga alertou que “falta complementar todo este esforço de resolver o problema imediato (...). É preciso olhar para o território senão não vai ser possível implementar estas medidas”.
“É preciso pensar que temos um vastíssimo território que não tem técnicos com valência para apoiar as populações”, disse.
Do plano de medidas anunciadas pelo Governo, Helena Freitas enaltece o reforço da formação de bombeiros, as alterações na gestão dos meios de combate ou a criação de linhas de apoio à investigação na área de prevenção dos incêndios.
A responsável disse ainda que gostaria de ter visto mais enfoque na formação das comunidades locais sobre auto prevenção e mais investimento na valorização ambiental e na biodiversidade das áreas que arderam.
“Quem está em Lisboa não tem noção da tragédia que isto representa em termos de expectativa. A floresta vai demorar anos a recuperar”, lamentou.
No sábado, o Governo anunciou a disponibilização de uma verba total “entre 300 e 400 milhões de euros” para a recuperação das habitações e infraestruturas de empresas e autarquias, o apoio ao emprego e ao setor agrícola e florestal.
As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 44 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.
Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.
