Os Estados Unidos ofereceram hoje recompensas que podem atingir os sete milhões de dólares (5,9 milhões de euros) em troca de informações úteis para a captura de dois dirigentes do grupo xiita libanês Hezbollah, considerado “organização terrorista” por Washington.

O Departamento de Estado pretende assim obter informações que permitam “a localização, prisão ou condenação em qualquer país” de Talal Hamiyah e Fouad Chokr, anunciaram responsáveis em Washington. O organismo governamental está disposto a oferecer até sete milhões de dólares pelo primeiro e até cinco milhões de dólares (4,2 milhões de euros) pelo segundo.

Segundo o Departamento de Estado, Talal Hamiyah “dirige o ramo terrorista internacional do Hezbollah” e está “ligado a diversos atentados terroristas” ou “sequestros de norte-americanos”.

Fouad Chokr é definido como “um alto comandante militar das forças do grupo no sul do Líbano” e desempenhou “uma função decisiva nas recentes operações militares do Hezbollah na Síria” mas, também, há mais tempo, no ataque que em 1983 provocou mais de 200 mortos entre os ‘marines” norte-americanos em Beirute.

O Hezbollah, 20 anos após ter sido colocado na lista negra de Washington, “permanece uma das organizações terroristas mais perigosas do mundo”, considerou o coordenador de contraterrorismo no Departamento de Estado, Nathan Sales. As recompensas anunciadas são “uma nova etapa para aumentar a pressão sobre eles e a sua organização”, referiu em declarações aos ‘media’.

Sales apelou ainda aos aliados dos Estados Unidos a também designarem o Hezbollah como “organização terrorista” e a não promoverem uma “falsa distinção” entre o seu ramo político e o seu ramo militar. “O Hezbollah é uma organização terrorista de A a Z”, insistiu.

A União Europeia não incluiu o ramo militar do grupo islamita na sua lista de “organizações terroristas”. O ramo político participa no governo libanês.

Num momento em que a administração de Donald Trump se prepara para divulgar esta semana a sua posição face ao acordo sobre o nuclear iraniano, Nathan Sales afirmou que o Hezbollah se pode tornar numa “ameaça global” unicamente devido ao “apoio” de Teerão.

Os Estados Unidos acusam o Irão de violar o “espírito” do acordo de 2015 devido à sua função “desestabilizadora” no Médio Oriente e no seu “apoio ao terrorismo”.

Na segunda-feira, o líder do grupo xiita libanês, xeque Hassan Nashrallah, acusou os Estados Unidos de estarem a proteger as regiões na Síria que ainda permanecem controladas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI).

Num discurso no vale de Bekaa, nordeste do Líbano, Nashrallah assegurou que os EUA “não têm pressa para eliminar o Daesh [acrónimo árabe do EI] e protege as regiões que controla”.

Segundo Nashrallah, “a força aérea norte-americana impede o exército sírio e os combatentes da resistência de se aproximarem dos últimos bastiões do Daesh perto do Iraque, porque pretendem que o conflito se prolongue por dez anos”.

As milícias do Hezbollah intervêm no conflito na Síria ao lado das forças do regime de Bashar al-Assad.