
Quando existe uma situação de insucesso no sistema desportivo ou no sistema educativo, duas causas aparecem logo como as mais prováveis: - Falta de empenhamento dos intervenientes; - Responsabilidade de terceiros.
É assim comum, por exemplo, ouvir-se dizer que as notas não foram boas porque o aluno não estudou ou porque o professor não é competente, que se perdeu o jogo porque os jogadores não se esforçaram ou porque o árbitro cometeu erros.
Mesmo sabendo que é necessário ter cuidado com as generalizações, pois cada caso é único e merece um processo personalizado de diagnóstico-prescrição-controlo, e que podem existir muitos outros tipos de causas para o insucesso, para efeitos de análise, grosso modo, podemos estar perante dois tipos de problemas distintos. Pelo que, é necessário perceber as causas relativas à dita falta de empenhamento e de compromisso com a função que se desempenha, enquanto aluno ou desportista, e as razões da falta de competência para desempenhar a função de professor ou árbitro. Sendo que ambas se podem mutuamente influenciar...
Contudo, em qualquer dos casos há alguns aspetos que devem ser previamente clarificados, nomeadamente se estamos perante casos isolados e pontuais, ou se, pelo contrário, é uma tendência (que por sua vez, tanto pode estar estabilizada, a diminuir, a aumentar, ou mesmo indefinida).
Mas estaremos mesmo interessados em compreender e resolver este tipo de problemas? É que se estivermos temos de, logo à partida, colocar a hipótese de serem os próprios sistemas (desportivo e educativo) que estejam esgotados nos moldes em que funcionam, que é necessário uma mudança de lógica e de quadro de referência, no fundo, que é necessária uma rotura.
Sendo necessário não esquecer, por exemplo, que as grandes inovações e roturas, numa primeira fase, normalmente, não acontecem por iniciativa das instituições e pessoas diretamente implicadas nos fenómenos... e que um dos fatores potenciador de roturas e da recetividade às novas propostas é o “sentir-se na pele” a crise provocada pela falta de resposta aos problemas que se vivem...
Não há meias roturas...De uma forma redutora (e provocadora) diríamos que ou se opta por melhorar e rentabilizar o que existe ou, pelo contrário, se opta pela procura de alternativas ao que está instituído e aparentemente parece eterno. Sendo que cada um tem de fazer a sua própria rotura e não estar à espera que a façam por si ou que o obriguem a fazê-la...
Se não existissem roturas talvez já não existíssemos ou ainda vivêssemos nas cavernas ...
Não se trata de conversa, de discurso vazio, há alternativas, algumas ainda do ponto de vista conceptual é certo, mas outras já testadas e com resultados comprovados em muitas áreas e âmbitos científicos e socioprofissionais ...
Não conhecer as alternativas e as suas potencialidades é ignorância. Conhecê-las e não as saber implementar é incompetência. Conhecer as alternativas e saber implementá-las e não o fazer ou é desonestidade ou é assumir que basicamente não existem graves disfuncionalidades e que apenas se trata de ruído produzido e alimentado por aqueles que fracassam (neste quadro de referência) ... e que por isso, para acalmar as vozes e os espíritos, basta ir mudando alguma coisa para que tudo, basicamente, fique na mesma. Uma espécie de cuidados paliativos... onde se arranjam “pequenos truques/incentivos” para aumentar o empenhamento e a competência daqueles que estão implicados nos processos, de modo a que, muito alegremente, toda a gente trabalhe arduamente. Contudo, infelizmente, isso não basta para que se aumente a produtividade e se contribua significativamente para melhorar a qualidade de vida ...