Em primeiro lugar os meus votos para que este ano de 2017 traga a todos os leitores as maiores venturas, começando, naturalmente, pela Saúde, Paz e Prosperidade. No caso concreto das artes e da cultura, o que eu mais gostaria de ver concretizado neste novo ano seria: a) que todas as crianças, desde a educação pré-escolar, continuem a ter acesso à educação artística no ensino genérico, de forma igualitária e lecionada por docentes especializados, independentemente da escola que frequentam; b) que todas as crianças e jovens, em idade escolar, que pretendem ter acesso à educação artística como atividade extraescolar ou ensino especializado possam ver concretizado esse seu sonho (um direito constitucional); c) que a educação artística continue a ser avaliada e compreendida pela Administração Educativa como um investimento no futuro das próximas gerações e não como um “custo”; d) que os pais e encarregados de educação continuem a propiciar aos seus filhos e educandos oportunidades de formação nas artes, como contributo para uma educação holística; e) que no momento dos jovens escolherem uma carreira, que os pais deixem os filhos seguirem aquela que os vai deixar mais felizes e não aquela que os pais gostariam de ter seguido e não conseguiram ou, aquela que dá mais “prestígio” e “dinheiro”; f) que as autarquias valorizem cada vez mais as artes de palco, proporcionando aos grupos artísticos (alunos e amadores, locais e regionais) oportunidades para se apresentarem em público, garantindo as condições necessárias a uma boa performance, oferecendo às populações espetáculos de qualidade que valorizem a sua educação cultural; g) que as entidades públicas garantam o acesso aos equipamentos culturais existentes com condições propícias aos agentes culturais possibilitando, por um lado a dinamização desses espaços, e por outro a oferta cultural generalizada e descentralizada por toda a população da Madeira e do Porto Santo. Para complementar a importância das artes na educação, basta analisarmos o Currículo Nacional do Ensino Básico – competências essenciais, para podermos constatar que para uma literacia em artes são necessários: o desenvolvimento da capacidade de expressão e comunicação: o desenvolvimento da criatividade; a apropriação das linguagens elementares das artes; e a compreensão das artes em contexto. Por outro lado, Magill (1977) defende como objetivos fundamentais para uma educação artística genérica: “1. Ajudar no desenvolvimento de uma compreensão e prespetiva sobre o mundo adequadas à era pós-moderna; 2. Desenvolver um senso de vocação ou sentido na vida, para além do simples treino ou orientação para uma “carreira”; 3. Desenvolver nas pessoas a “arte de utilizar o conhecimento”, ou seja, as competências básicas ou habilidades que equipem o indivíduo a viver feliz e efetivamente”. Para este terceiro objetivo o autor destaca as seguintes competências/habilidades: “comunicação; analíticas; interpessoais; recreacionais; e de cidadania”. Se pensarmos e agirmos desta forma, estaremos a contribuir para gerações futuras melhor preparadas para enfrentarem um mundo em constante mutação em que o mercado de trabalho é cada vez mais escasso e que para os jovens poderem vencer têm que ser muito criativos e adaptativos às situações e aos contextos. Termino esta minha reflexão com um excerto do texto de Ján Figel, Comissário Europeu responsável pela Educação, Formação, Cultura e Juventude da UE, que em 2009 referia: “O papel da educação artística na formação de competências dos jovens para o século XXI tem sido amplamente reconhecido a nível europeu. A Comissão Europeia propôs uma Agenda Europeia para a Cultura, que foi subscrita pelo Conselho da União Europeia em 2007. Esta Agenda reconhece o valor da educação artística no desenvolvimento da criatividade. Além disso, o quadro estratégico da UE para a cooperação europeia no domínio da educação e da formação ao longo da próxima década realça claramente a importância de competências essenciais, transversais, incluindo a sensibilidade cultural e a criatividade (...)”. Espero que estas ideias possam manter-se ao nível das boas-práticas artísticas na nossa Região Autónoma, como exemplo ao nível do nosso País e da Europa.
As artes e a cultura em 2017: que se espera?
Para complementar a importância das artes na educação, basta analisarmos o Currículo Nacional do Ensino Básico