Vários diplomatas norte-americanos protestaram oficialmente contra o decreto assinado na sexta-feira pelo Presidente, Donald Trump, que suspende a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de países muçulmanos e de refugiados, indicou hoje o Departamento de Estado.
Numa altura em que o ministério dos Negócios Estrangeiros passou a estar, em teoria, sob a alçada do Governo Trump, um número indeterminado dos seus quadros utilizou aquilo que foi designado como um “canal oficial de dissidência” para contestar o diploma assinado na sexta-feira pelo Presidente Trump e que causou indignação nos Estados Unidos e no mundo, disse o porta-voz da diplomacia norte-americana, Mark Toner.
“Sabemos que houve uma mensagem [transmitida] através do canal de dissidência sobre o decreto intitulado ‘Proteger a nação contra a entrada de terroristas estrangeiros nos Estados Unidos’”, explicou Toner, porta-voz do Departamento de Estado durante o mandato de John Kerry, que assegura interinamente funções até à chegada do secretário de Estado nomeado, o ex-patrão da ExxonMobil, Rex Tillerson.
O diplomata norte-americano recordou que este meio de contestação dentro do ministério é “um instrumento oficial de longa data que permite aos funcionários do Departamento de Estado expressar opiniões e perspetivas diferentes sobre questões de política externa”.
Toner não forneceu mais pormenores sobre o conteúdo do texto nem sobre o número de diplomatas que o apoiam ou o subscreveram.
Este canal de comunicação foi acionado em junho, quando cerca de 50 diplomatas se pronunciaram pela necessidade de os Estados Unidos atacarem militarmente o regime sírio, uma severa crítica contra o Governo da altura, dirigido pelo Presidente Barack Obama, que não queria intervir na Síria.
Mas uma contestação emanada do Departamento de Estado dez dias após a investidura do Presidente dos Estados Unidos é um acontecimento sem precedentes.
O “canal dissidente” é “um processo importante ao qual o secretário de Estado interino (Thomas Shannon) e o Departamento de Estado no seu conjunto dão grande valor e que respeitam”, insistiu Toner.
O porta-voz sublinhou que os funcionários do ministério -- que são, no total, 70.000 -- têm o direito de “expressar as suas opiniões com franqueza e de forma confidencial junto dos seus superiores hierárquicos”.
Muitos diplomatas de topo que ocupavam cargos “políticos” durante a Presidência de Obama saíram nos últimos dias, mas muitos mantêm-se integrados nos Negócios Estrangeiros e os quadros intermédios estão ainda em funções.
Contestado pela decisão de encerrar as fronteiras aos cidadãos de sete países muçulmanos, Donald Trump defendeu hoje a sua iniciativa, condenada por muitos chefes de Estado mas agora também por uma parte do mundo empresarial.
