“A divisória entre sofisticação técnica e barbárie, entre cultura e violência, entre civilização e discriminação e opressão é frágil.” Um alerta deixado por Miguel Albuquerque, nesta manhã, perante um conjunto de funcionários da Administração Pública da Madeira, que participam no I Seminário Transnacional de Intercâmbio de Experiências DEMOS’.
O presidente do Governo, que interveio na sessão de abertura, falou da situação política internacional e dos desafios que a Europa enfrenta, agora agravados pelo facto de se ter registado uma mudança política nos Estados Unidos.
Miguel Albuquerque lembrou que a grande barbárie do século XX, que na Europa se saldou em milhões de mortes, da I Grande Guerra ao genocídio na antiga Jugoslávia nos anos 90, passando pela II Guerra Mundial, foi protagonizada por sociedades técnica e culturalmente evoluídas.
Agora, que a Europa enfrenta dificuldades materiais, em que as democracias são confrontadas com dificuldades em manterem os estados sociais, gradualmente ganham terrenos os movimentos nacionalistas, xenófobos, isolacionistas, protecionistas. Daí que o presidente do Governo questione: “Até que ponto conseguimos suster os ‘ismos’? (...) Todos eles contrários à interacção e solidariedade entre os povos”.
Albuquerque lembrou que as democracias ainda não haviam sido testadas em contexto de degradação das condições materiais e disse que a questão a colocar é se “a democracia existe para poder dar e tirar coisas às populações ou para garantir liberdades, direitos e garantias ao cidadão”.
O presidente justificou a sua intervenção com o facto de estar a falar a elites, pessoas que devem estar conscientes dos fenómenos e dos desafios que hoje se colocam às sociedades, em especial às europeias.
Na abertura do Seminário, que decorre no auditório da Segurança Social, participaram o provedor-adjunto da Justiça, Jorge Miranda Jacob, Fernanda Cardoso, em representação da ALM, e Jerónimo Saavedra Acevedo, Diputado del Comum de Canárias.

