O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que está sob investigação por suspeitas de corrupção, consideoru hoje que é alvo de uma campanha mediática de “uma amplitude sem precedentes” para fazer cair o seu Governo.
Netanyahu é alvo de duas investigações: uma por presentes de luxo que terá supostamente recebido de homens de negócios e outra por ter tentado negociar um acordo com um empresário de comunicação social a fim de obter uma cobertura favorável.
Há cerca de uma semana que a imprensa israelita tem noticiado detalhes das investigações, incluindo gravações de conversas entre Netanyahu e Arnon Moses, proprietário do diário de grande tiragem Yedioth Aharonot e do site de notícias Ynet.
Nestas conversas entre o primeiro-ministro israelita e o empresário de comunicação social os dois homens discutiam os termos de um acordo que daria uma coberyura mais favorável a Netanyahu antes das eleições legislativas de março de 2015, em troca da ajuda deste ao Yedioth Aharonot, concorrente do diário gratuito Israel Hayom, segundo os meios de comunicação social.
“Nos últimos dias, os meios de comunicação social fizeram uma campanha sem precedentes contra mim no sentido de fazerem cair o governo do Likud”, disse hoje Netanyahu, na abertura de uma reunião do seu partido de direito no Knesset (parlamento de Israel).
Segundo o primeiro-ministro, a campanha destina-se a “fazer pressões, entre outros, sobre o procurador-geral”, para que o coloque sob investigação.
Face ao frenesim mediático sobre o primeiro-ministro, o procurador-geral de Israel, Avishai Mandelblit, fez hoje, pela primeira vez, declarações públicas sobre a situação.
O procurador-geral disse que não se deixará influenciar por “ruídos de fundo de quem os tenta distrair dos objetivos” e acrescentou que não tornará público, pelo menos por enquanto, o teor das conversas telefónicas entre o primeiro-ministro e Arnon Moses.
Segundo os meios de comunicação social, Arnon Moses, o proprietário do Yedioth Aharonot, que foi interrogado no domingo pela polícia durante oito horas, voltou hoje a ser interrogado.
Um porta-voz da polícia, interrogado pela Agência France Presse, disse que não podia confirmar nem desmentir as informações.
Netanyahu e a mulher já foram interrogados várias vezes pela polícia anticorrupção a propósito de alegados presentes que terão recebido ilegalmente.
De acordo com a imprensa, o primeiro-ministro terá recebido, durante sete ou oito anos, do homem de negócios, produtor de Hollywood e amigo Arnon Milchan caixas de charutos selecionados, cujo valor comercial ascende a dezenas de milhar de dólares.
Arnon Milchan terá também alegadamente oferecido à mulher do primeiro-ministro, Sara, champanhe rosa cujo custo por garrafa é de cem dólares.
