A Associação de Pastores das Serras de Santo António, São Roque e Areeiro divulgou esta manhã um comunicado no qual se manifesta “estupefacta” com a campanha de reflorestação realizada sexta-feira passada no Chão das Galinhas, em Santo António, classificando de “atitude abusiva” a acção dinamizada pela Secretária Regional do Ambiente e Recursos Naturais, através do Instituto de Florestas e Conservação da Natureza, e da marca Toyota.
“A plantação de 5 mil árvores que tão pomposamente anunciou com a presença dos representantes da Toyota Portugal, com o músico Luís Represas (...) e com 50 alunos da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Caniço está a ser efectuada em terrenos de proprietários privados”, garante a referida associação, explicando que, no local, o representante dos proprietários dos terrenos confrontou a secretária regional Susana Prada e sua equipa “do equívoco que estavam a realizar”, mas que a governantes “ao invés de se desculpar pela utilização abusiva nos terrenos, afirmou e assumiu verbalmente que o Governo Regional ‘comprava’ administrativamente os terrenos que não estão à venda”.
Na mesma nota, a associação diz que não aceita “esta atitude abusiva e autoritária do Governo Regional” e sublinha que “antes de promover qualquer iniciativa ou eventos nas serras da Madeira, há que confirmar os verdadeiros proprietários das terras”. Por outro lado, aquela organiza avisa para os perigos da reflorestação, designadamente “a infestação de sementes invasoras” nas serras “com a terra que transportaram para os terrenos”.
A associação critica a secretária regional Susana Prada por estar “mal assessorada”, “tomar medidas sem lógica nem conhecimento” e “fazer iniciativas e actividades sem qualquer estudo e envolvimento da sociedade civil. Ao mesmo tempo, elogia o presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, a quem reconhece a “atitude completamente democrática” de ter-se comprometido “em apoiar a realização de estudos de reflorestação e regresso do gado às Serras de Santo António, São Roque e Arieiro, em que os proprietários e pastores das Serras serão ouvidos e tidos em consideração para que a sua experiência e conhecimento prático dos terrenos sejam utilizados para uma resolução mais efectiva da reflorestação e pastoreio”.
Por último, a Associação de Pastores das Serras de Santo António, São Roque e Arieiro refere que “está a favor da reflorestação, mas não pode aceitar o desrespeito pela propriedade privada”.

