Mês de emoções fortes, este que estamos a viver, a fazer emergir o melhor que há em nós, humanos: a entreajuda, o voluntarismo, a camaradagem, o altruísmo, a entrega, o melhor que pode haver em pessoas de bem. Pessoas de bem! Termo utilizado quando queremos referir alguém que tem bom trato, é honesto, honrado nos procedimentos, que não é ardiloso, que cumpre com o que diz e combina, que é simpático e altruísta, que promove o bem em vez do mal, que dá de si mais do que ambiciona receber. Usamos também esta pequena frase quando nos queremos referir a uma “pessoa colectiva”, como, por exemplo, os Bombeiros, a Polícia, os Voluntários de uma determinada causa e até, como já vimos escrito: o Governo é uma pessoa de bem, a Diocese é uma pessoa de bem, não é ardilosa, etc.. Há um outro tipo de pessoas de bem que, pela sua actuação, em geral ou em momentos específicos, transcendem e ultrapassam o que é comummente exigido, podem passar a ser considerados como Heróis! Podemos ser, além de pessoas de bem, heróis em algum ponto das nossas vidas. Um Herói é alguém que supera um determinado problema, uma determinada situação, de uma forma excepcional. Para os gregos, na antiguidade, um herói situava-se numa posição intermédia entre os deuses e os homens, conferindo-lhe uma posição semidivina. Um herói, humano na sua condição de base, a determinada altura transcende essa mesma condição, mostrando virtudes que o homem comum não consegue (mas gostaria de) atingir – persistência, coragem, força de vontade, determinação, fé! Qualquer indivíduo, mesmo que sem qualquer vocação heroica, pode protagonizar atitudes dignas de um herói, dependendo da motivação. Esta, quando virada para actos, individuais ou colectivos, de salvaguarda da integridade, física e emocional, sobrevaloriza o comum, tornando-o em incomum, em excepcional. Em momentos de aflição colectiva, sobressaem alguns que lideram todos e com os seus feitos encorajam os menos vocacionados para actos de natureza heroica, mesmo sem se darem de conta que os estão praticando. Há Heróis em qualquer área do comportamento humano, seja no altruísmo necessário para ajudar o próximo em situação de aflição, seja, como vimos noutro campo de emoções, os nossos atletas nos Jogos Olímpicos suplantarem a mediania habitual no nosso país para alcançarem lugares, que não sendo de medalhas, estão bem acima daquilo a que o país pobremente lhes oferece. Infelizmente há, também, principalmente quando a necessidade é mais premente, uns outros, que tentando demonstrar atitudes heroicas, por razões de natureza egoísta, com uma motivação de diferente cariz - vaidade, orgulho, ganância ou outras similares, querem ser recordados como os heróis que na realidade não são. Desses a História não lembrará. Vimos, assistimos, os atletas lusos nas Olimpíadas, em esforço de suplantação pessoal, a chegarem a finais de difícil acesso e a conseguirem resultados que há alguns anos nem sonhávamos. Estes a História contará! Vimos, assistimos, lembramos, tal como a História lembrará, actos de incomum coragem durante os dias de fogo, na Madeira, e no Continente, em todos ao lados onde a coragem foi chamada a intervir, fazendo de todos, em conjunto, heróis de uma determinação comum. São Gente de Bem, os nossos Heróis do Bem! E estes, a História contará! P.S. – A Diocese fez publicar no passado dia 15 de Agosto o único bem tangível que sub-repticiamente, por sua iniciativa ou por conselho de um qualquer obscuro representante legal, escamoteou aos sócios da Empresa Jornal da Madeira. Não são heróis, nem pessoas de bem, e estes a História não contará!

Pedro Melvill, Araújo Médico