Terminaram no último Domingo os Jogos Olimpicos do Rio de Janeiro que, contra as expectativas mais generalizadas, não se saldaram nem por um fracasso generalizado do ponto de vista da organização e muito menos pelo mérito da participação portuguesa.
Os receios de que a organização pudesse não corresponder ás expectativas eram efectivamente muitos e fundados, tal como aqui se havia dado conta antes do seu início. Receios que a terem-se confirmado seriam desastrosos para o Brasil, já que tal colocaria em causa a competência do maior país da América do Sul para assumir a organização dos Jogos na primeiro vez em que eles deveriam decorreu a Sul do Continente americano, com a particularidade acrescida de acontecerem num momento em que a credibilidade do Brasil tem sido colocada em crise pelos próprios brasileiros. O que, convenha-se, é mau, muito mau.
E agora que os Jogos já foram encerrados vale dizer que não constituíram um modelo de boa organização, o que a ter acontecido constituiria grossa surpresa, mas também não foram o fracasso que os indícios até aí recolhidos levavam a temeu. Ocorreram falhas, umas com maior visibilidade do que outras, os canoistas portugueses queixaram-se da ausência de limpeza das águas onde decorreram as provas, mas esses são aspectos que naturalmente não desfavoreceram mais uns concorrentes do que outros pelo que todos terão sido prejudicados por igual não ficando margem para imputar a tais factos os resultados menos desejados.
Já no que se refere aos resultados em geral a questão suscita um tipo de análise diferente. O argumento de que somos um país pobre que investe na preparação dos atletas para os Jogos dento dos limites apertados das suas possibilidades, sendo verdadeiro não justifica a pobreza dos resultados alcançados. É verdade que a modéstia dos nossos recursos não é de molde a catapultar-nos para grandes feitos e cometimentos, mas é certo que mesmo em domínios como aquilo a que no atletismo se chamam as especialidades já alcançámos resultados que não se diriam ao nosso alcance conforme foi o caso de Nelson Évora no salto em comprimento exactamente na sua estreia olímpica.
Agora no Rio existiam expectativas da conquista de medalhas uma vez mais no atletismo mas também noutras modalidades, expectativas essas que não se confirmaram. Valeu o “bronze” de Telma Monteiro, que acabou ganhando uma medalha que de há muito vinha perseguindo e que sistematicamente lhe fugia. E que na nossa contabilidade olímpica passa a constituir a segunda medalha ganha por atletas portugueses no Judo, depois da medalha também de bronze ganha primeiramente por Nuno Delgado.
Pelo caminho ficaram sem confirmação as expectativas depositadas no futebol, que depois de uma entrada muito auspiciosa baqueou de uma forma de certo modo surpreendente frente á Alemanha, os bons augúrios que sopravam do lado do atletismo, sobretudo na vertente feminina, os desportos náuticos designadamente no que se refere á canoagem que foram todos esperanças não confirmadas. Dir-se-á que estes resultados mais coisa menos coisa se encontram na linha do que constitui o nosso histórico, que apresenta um registo entre o ouro do atletismo, a prata e o bronze de vinte e quatro medalhas. É pouco para as expectativas criadas bem como para o investimento que foi feito no Rio 2016.
Mesmo sem perder de vista aquilo que são os nossos antecedentes era exigível um pouco mais. Para que pudéssemos dizer convictamente missão cumprida!
Carlos Sequeira