J. Edgar M. da Silva O que actualmente temos de certeza que não. O SRS/RAM, ao longo de mais de 40 anos, deixou-se levar ao sabor, da convicção de que era “o melhor, sem igual”, convencido, ao estilo de um conto de encantar, o “Rei vai nú”. Convencido, de que realmente era o maior, a estrutura cresceu, calçada, com “pés- de- barro”, que agora se partiram. O que agora interessa é saber, que saúde merecemos, que tem de mudar, já que mudar pessoas, não chega, nem é o problema principal, mudaram mas os problemas continuam, iguais e os mesmos. A evolução do SRS-RAM, até ao actual SESARAM, com a condição de entidade publica empresarial, onde se aproximou o estilo da gestão privada, ao sector publico, agora, com estudos, que dizem, não existir qualquer beneficio, já que a demonstração de resultados está à vista de todos, com um divida que cresceu todos os anos e uma quebra acentuada da produtividade hospitalar, visível no crescer das listas de espera, e de outros indicadores, que demonstram claramente um decréscimo da qualidade e da segurança dos cuidados; aliás objecto de noticias todos os dias, e responsáveis pelas actuais ondas de demissões nas cúpulas da saúde, no SESARAM. É monstruosa a centralização, incontrolável. A verdade, é que o problema não está no modelo de administração e gestão privada na saúde, a empresarialização fez-se ao sabor de conflitos de interesses e de lobbys que querem sobre ela ter “controlo total”;o esforço pela sustentabilidade e satisfação do cliente, jamais foi objectivo submisso a um plano estratégico, logo o hospital como uma empresa,sempre foi secundarizado e explorado, a tal promiscuidade entre publico e privado. E sabemos ao que parece vem ai um privado, ao que parece, a RAM é uma oportunidade de negocio na saude, em outsourcing, um perigo, pois torna a estrutura publica, refem da privada, talvez nem novo hospital se chegue a ter. O CHF parece que andou sempre em “gestão administrativa”, com uns a aumentar a divida e outros, em tentativas, “tesas”, de a diminuir sem olhar a consequências, ambos não servem o superior interesse publico. Porque existe sempre a necessidade de fazer investimento, de se actualizar e modernizar, de conter a divida, de prever a depreciação e agir em conformidade, gerir a saúde tendo ao seu dispor um “saco azul”, conduz ao descalabro e inevitavelmente ao caos. Que saúde queremos? Obviamente que, de qualidade e segura, assim como ágil e rápida, devidamente financiada. Queremos uma saúde sustentável, que seja gerida por gente responsável e responsabilizada pelo seu desempenho decorrente da avaliação dos objectivos estratégicos implementados e conseguidos, queremos uma saúde, acima de tudo, monitorizada, pelo poder judiciário do pais, quiçá ao estilo de uma fundação, publica e só cooperaiva em complementariedade com o sector privado Queremos uma saúde que garanta uma maior abrangência numa intervenção que considere a linha assistencial do hospital aos domicílios e vice-versa, uma saúde descentralizada, desconcentrada. É urgente renovar, refundar, e fazer renascer o SRS-RAM, o actual modelo “hospital-centrico” é anacrónico, desfocalizado, da prevenção, desconsidera os cuidados primários, relega-os para um plano inferior, inclusive de financiamento.